Casimiro Cunha
Nem todos identificam, No curso de todo o dia, A lição maravilhosa Que vem da carpintaria Madeira escura e selvagem, Do seio da natureza, Vem de longe por buscar A forma e a delicadeza.
Ao rumor do maquinismo Que se agrupa na oficina, O artífice representa A Inteligência Divina A serra corta vibrando, A enxó elimina a aresta, O torno canta a harmonia, Tudo em júbilos de festa.
O esforço de seleção Efetua-se a capricho;
Sujidades, excrescências, São matérias para o lixo.
A simples madeira bruta, Na grande transformação Brilha agora na obra prima De serviço e perfeição.
Todavia, para isto, As peças e os elementos Submeteram-se humildes À pressão dos instrumentos.
Assim também a alma humana, Na oficina da existência Precisa submeter-se Às plainas da experiência.
Recordemos, sobretudo, Com humildade e com fé, O Divino Carpinteiro Que passou por Nazaré.
Busquemo-Lo nos caminhos, E atende, meu caro irmão: Se queres a Luz da Vida Entrega-lhe o coração.