Chico Xavier e suas Mensagens no Anuário Espírita - capa

Chico Xavier e suas Mensagens no Anuário Espírita

Capítulo XXX
Ilustração tribal

Diante dos pioneiros



Recorda os sacrifícios dos pioneiros do progresso que te precederam na jornada humana, para que avances na Terra sem a cegueira da ingratidão.

Lembra as mãos anônimas que te ergueram o lar, os braços que te embalaram o berço e as vozes amigas que te ensinaram a mover os lábios no idioma do entendimento.

Não olvides aqueles que choraram e sofreram, lavrando o solo em que ingeristes a primeira bênção do pão, nem te esqueças de quantos se viram mutilados no trabalho para que o conforto e a higiene te sustentassem o corpo.

Não condenes à poeira da indiferença os que se viram supliciados, na humilhação e na angústia, para que tivesses a ordem legal, garantindo-te a segurança, e os que morreram nos cárceres, muitas vezes, caluniados e traídos, para que a liberdade te coroasse a existência.

Consagra um altar em memória dos que te legaram os tesouros da educação, a fim de que luta na Terra seja, para tua alma, valioso caminho para a glória celestial.

Usufrutuário do campo em que foste acolhido pela bondade e pela esperança dos que te viram nascer, recolheste a experiência sublime que a luta estendeu e que o sofrimento purificou, reclamando-te também suor e boa vontade para que a vida se faça melhor.

Não te percas, assim, nos labirintos da indagação sem proveito, perguntando se a crueldade é hoje maior que ontem no mundo…

Cede ao mundo a tua quota de serviço desinteressado e constante, para que o bem prevaleça, iniciando em ti próprio a obra redentora e divina do amor que a tudo abrange, e, em voltando amanhã à grande escola da Terra, encontrá-la-ás mais nobre e mais bela, convertida, com teu esforço, em antecâmara abençoada para a Vida nos Céus.




(Anuário Espírita 1967)