Luz no Lar

Capítulo XXXVII

Versos a minha mãe



Pássaro preso no recinto escasso

Do velho canavial, beirando o rio,

Quis ver o mundo vasto e conheci-o,

Varando, em pleno voo, o azul do espaço…


Lembro-me agora… Enceguecido, abraço

A exaltação, a glória e o poderio…

Mas tudo, minha mãe, era vazio

Fora do amor que brilha em teu regaço.


Vi mil chagas de dor que a fama incensa

Nos nervos de ouro da cidade imensa,

E prazeres, em trágico desmando…


Mas no colo a que, em sonho, me recostas,

Tenho apenas teu vulto de mãos postas,

Que teu filho recorda, soluçando…




Este soneto foi publicado em 1962 pela FEB e encontra-se na 14ª lição da 3ª Parte do livro “”