O possui um conjunto de cartas normalmente referenciadas como cartas católicas ou universais. Originalmente o sentido da palavra católica era universal. Só com o desenvolvimento do Cristianismo é que esse termo passou a designar uma corrente específica. O significado desse termo reflete o propósito e a natureza desses escritos.
Atribuídas a quatro figuras do início do Cristianismo, Tiago, Pedro, Judas e João, são cartas cujo conteúdo destina-se ao conjunto dos que buscam na Boa-Nova os parâmetros para orientarem-se durante a vida. Não há, nesse conjunto, grandes argumentos teológicos e cristológicos como encontramos nas Cartas de Paulo, tampouco fatos históricos ou narrativas da vida de Jesus como nos trazem o livro de Atos dos apóstolos ou os Evangelhos. Nem por isso, o seu conteúdo é menos interessante ou importante.
Fruto do esforço dos primeiros movimentos do Cristianismo, elas nos trazem relatos da dinâmica dessa fase inicial, seus desafios, preocupações e foco. O livro conhecido como Apocalipse enquadra-se também dentro desse contexto, à medida que aborda as expectativas salvacionistas e as intervenções de Deus em um ambiente muitas vezes caótico, complexo e repleto de acontecimentos que fragilizavam a fé e a esperança de muitos os que viveram nesse período.
Isso poderia levar a uma apressada conclusão de que esses textos teriam sua aplicação mais adequada aos seus contemporâneos e que o mundo atual, dadas as suas marcantes diferenças com a Palestina do primeiro século, teria pouco a aproveitar desses escritos. Isso, contudo, deriva de um superficial entendimento do que caracterizam os textos do Novo Testamento. Muito embora os ensinos ali contidos estejam revestidos da roupagem linguística, cultura e temporal, o que não poderia ser de outra forma, sua mensagem dirige-se ao espirito humano em seus incontáveis périplos evolutivos. As recomendações de Tiago sobre o uso da linguagem são hoje mais do que antes importantes, devido ao impacto das tecnologias de comunicação e das redes sociais, que amplificam enormemente os efeitos de tudo o que dizemos e escrevemos. As recomendações de Pedro aos peregrinos aplicam-se tanto aos de ontem quanto aos de hoje. As lembranças que Judas nos traz de que o passado é repositório dos registros das consequências de nossas ações, despertam, ontem e hoje, o ensejo de olhar para o presente, sem desconsiderar as lições do pretérito, a fim de que os mesmos equívocos não sejam cometidos e que as mesmas consequências não ocorram no futuro. As Cartas de João trazem um registro da importância das relações e das pequenas coisas, e o Apocalipse permanece um cântico de fé e esperança para todos os que conseguem desbravar o conjunto de símbolos dos quais se utiliza e que permanecem mais herméticos aos leitores atuais pela ausência do arcabouço cultural que demarcou o surgimento da literatura apocalíptica. Esses são apenas alguns exemplos de como tais textos podem e devem ser objeto de leitura e reflexão.
Embora essa importância, as dificuldades permanecem, porque muitas vezes é difícil ultrapassar a camada cultural e simbólica que os reveste e chegar ao âmago de sua mensagem. Mais difícil ainda é, de posse dessa mensagem, convertê-la em guia para as ações do cotidiano. Esse é o contributo de Emmanuel, em cujos comentários encontramos a essência desses ensinos e sua aplicação às mais diversas situações do nosso presente.
As Cartas universais e o Apocalipse são um convite a todos os que buscam construir um mundo melhor, oferecendo-lhes as inestimáveis ferramentas da fé e da ação correta, possibilitando converterem-se na luz à qual Jesus se referia quando proferiu a imortal recomendação. “Brilhe a vossa luz diante dos homens para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt
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