Cap. X — Item 18.
Todos aceitarão tua palavra amiga, não o teu reproche...
Os homens necessitarão sempre de água cristalina, não dos teus ácidos...
Os amigos quererão tua compreensão, jamais as tuas exigências...
Os companheiros anelarão por tua fraternidade, não pelas tuas acusações e remoques...
Justificarás que não compactuas com o erro e és sincero ao exarar tua opinião.
É certo que esta é uma atitude correta. No entanto, quem cai não necessita de maior tormento do que o próprio insucesso. Tu és chamado para ajudar e não para zurzir o látego da impiedade...
O tempo dirá ao tombado quanto aos próprios gravames.
Faze tua parte de amor, auxiliando.
Não faltará ensejo para enunciares opiniões corretas e nobres. Sem embargo, diante da crise, a paciência e a gentileza na colocação da bondade têm regime de urgência.
O erro de alguém, de alguma forma reflete as tuas limitações.
Solidariedade ê, por isso, clima fraternal para levantar os caídos, enquanto a acusação verbosa se transforma em grave complicação, para quem, em momento próprio e mediante palavras bem situadas, poderia beneficiar-se a contento, levantando-se da queda.
Gostarias que o irmão te advertisse quando estiveres em erro... Será, porém, necessário, isso? Basta não deixares a mente anestesiada pelo bafio do orgulho ou pelos tóxicos da presunção e te darás conta do equívoco. Conseguirás identificar os teus erros, e, orando, retificá-los.
Todavia, se não o perceberes, não faltará, no instante justo, a inspiração do Alto, conclamando-te ao reequilíbrio, se permaneceres vigilante.
Condenação verbalista, vigorosa, contra o próximo, nunca.
Amizade, sim, em todo tempo e lugar.
Jesus redarguiu aos que O tentavam com propostas capciosas: "Quem entre vós me elegeu juiz das vossas questiúnculas?" desarmando a trama da impiedade. Entretanto, auxiliou a todos, indistintamente, usando verbo especial, repassado de carinho e esperança, para cada situação, pessoa e problema.
Sê tu, portanto, aquele que vai "dois mil passos", ao lado de quem te agradece uma jornada de mil, e oferta, igualmente, a capa da boa vontade a quem te solicita apenas a manta do entendimento fraterno, sem condenação.