Sabedoria do Evangelho - Volume 2

CAPÍTULO 37

OS JURAMENTOS



MT 5:33-37


33. Também ouvistes o que foi dito aos antigos: "não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor todos os teus juramentos".


34. Eu porém vos digo que absolutamente não jureis, nem pelo céu porque é o trono de Deus,


35. nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é uma cidade do grande rei,


36. nem jures pela tua cabeça, porque nem um só cabelo podes tornar branco ou preto.


37. Mas seja vossa palavra: sim, sim: não, não. Pois tudo o passa disso, procede do mal.

O texto reproduz o terceiro mandamento do decálogo (EX 20:7 e DT 5:11) e a ordem de cumprir os juramentos se deduz de NM 30:3.

Os israelitas tinham fórmulas estereotipadas de juramento que eram muito frequentes; juravam por Deus (hâ-Elohim), pelo céu (hasshamâim), pelo templo (nêikelâ), etc.

Jesus proíbe totalmente os juramentos, de qualquer forma, sob qualquer aspecto. O cristão está proibido de jurar, mesmo "seriamente", mesmo "judicialmente", etc., sob pena de desobedecer à ordem taxativa de Jesus.

Os cristãos reais vivem e agem com tanta lealdade que basta um "sim" ou um "não", para garantir a veracidade da palavra empenhada. E entre cristãos a franqueza e a verdade devem ser totais e absolutas.

Os juramentos comuns, entre os israelitas daquela época, são analisados pelo Mestre, e apresentadas as razões que O levaram a proibi-los: o céu, que é o "trono de Deus" - e essa frase provocou ou confirmou certas crenças antropomórficas a respeito da Divindade. No entanto, compreendamos o espírito da frase: estando Deus em toda parte, os "céus" são a atmosfera impregnada de fluido vital divino, e portanto um dos locais em que a Divindade se encontra "assentada"; e, dentro da mesma ideia, a terra "onde se apoia" a atmosfera, é imaginada como sendo "o escabelo de Seus pés"; assim a concentração fluídica na cidade de Jerusalém, que é citada como "uma das cidades (em grego sem artigo) do Grande Rei".

Depois Jesus desce aos exemplos do próprio homem, pois nem sequer é a criatura capaz de mudar a pigmentação de seus cabelos, o que prova que não é dono deles.


Quando afirma que nossa palavra deve ser simplesmente sim e não ensina que "tudo o que for além disso" provém do mal, isto é, do mergulho do "espírito" na matéria densa, no "emborcamento do Anti-

Sistema" (Pietro Ubaldi) que inverte todas as positividades em negativismo.

A lição é preciosa para o Espírito, que deve sempre ser verdadeiro e jamais proferir uma mentira.

Disse grande amiga nossa que "podemos por vezes não-dizer a verdade, calando-a, mas jamais devemos falar uma mentira".

O juramento foi criado pelo vício da personalidade, que quer sempre enganar com astúcias para tirar vantagens terrenas. Foram então inventadas fórmulas que pudessem "garantir" a lealdade das palavras.

No entanto, até mesmo isso foi e é desvirtuado pela falsidade. Daí o aviso lógico e certo de Jesus: tudo o que não é lealdade e veracidade provém do mal, isto é, exatamente da matéria que prende o Espírito na personalidade transitória.