A Vida Conta

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Capítulo XXX

Minutos de Deus


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Bastas vezes, perguntas, alma boa,

Qual a razão do sofrimento…


Porque a treva da angústia na pessoa…


E também vezes muitas

A recear a justa explicação,

Foges de coração cansado e desatento…


Enquanto podes fazer isso,

Satisfazendo a impulso vão,

Ausentas-te dos quadros de amargura,

Como quem busca o reboliço

Para esquecer o assombro e a inquietação

Que observas nos outros

De alma triste e insegura

Quando colhidos pela provação…


Mas se um dia chegar em que não possas

Distanciar-te do recanto,

Em que a tristeza se conhece

Por neblina de pranto,

Por maiores as dores e os problemas,

Acende a luz da prece

E, esperando por Deus,

Não te aflijas, nem temas…


Ora, detém-te, anota, pensa e escuta

Sob as tribulações em que a sombra domina,

Quando estamos a sós, dentro da própria luta,

Rodeados, ao longe,

De constrangidos cireneus

É que achamos na vida

Os minutos de Deus,

Nos quais se pode registrar

A palavra divina.


Nas estações difíceis do caminho,

Que todos conhecemos

Por solidão, angústia, desengano,

À distância de todo burburinho

Em que o prazer humano

Lembra incêndio de sons que explode e estala,

Nessas pausas de dor do pensamento,

Em que o tempo parece amargo e lento

É que o verbo de Deus nos envolve e nos fala…

Mesmo sem qualquer força a que te arrimes,

Presta a própria atenção

A voz que te procura o coração

Nessas horas sublimes.


Entretanto, não creias,

Perante a aceitação a que te levas

Que Deus te reterá na mágoa que te invade,

Nas teias abismais da crueldade

Ou no bojo das trevas…

Logo após o celeste entendimento

Em que a bênção do Céu se te anuncia,

Ressurgirás em novo nascimento,

A dentro de ti mesmo,

Como quem se revê ao sol de novo dia…


Lembra o próprio Jesus,

Se consegues cismar, em torno disso;

Do berço em louvações

À última páscoa em festa, brilho e luz,

A vida do Senhor

Foi um hino de júbilo e de amor

Em música de paz e de serviço…

Mas chegando ao Jardim das Oliveiras,

Ei-lo escutando o Pai, horas inteiras…

E, através do diálogo divino,

Colocado em si mesmo, solitário,

Encontra o sacrifício por destino,

Desde a prisão injusta às pedras do Calvário…

Entretanto, depois

Da renúncia suprema,

Qual se guardasse em si o fel da humana escória,

No suplício final, perante a multidão,

Fez-se o Cristo Imortal do Amor e da Vitória,

Na luz divina da ressurreição.




Maria Dolores
Francisco Cândido Xavier


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