Bastão de Arrimo

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Capítulo XI

A vida triunfará

“A vida triunfará e o nosso amor é tão grande que ele em sua grandeza já triunfou brilhantemente da morte para resplandecer em plena vida.”


Querida mamãe, Deus esteja em seu coração, fortalecendo-lhe as energias.

Estive hoje, a seu lado, durante o dia inteiro e partilhei de suas preces, suas recordações…

Realmente chorei e ainda tenho meus olhos orvalhados de pranto, não somente de saudade da sua convivência mais direta, mas também, de alegria por me sentir tão amado!

Que paraíso, mamãe, poderia substituir o céu de seus carinhos, de sua ternura? O céu pode ser um lugar abençoado, entretanto, não poderíamos colher em seus jardins a flor da perfeita felicidade sem a companhia daqueles que amamos com todas as forças do coração.

Aí no mundo, os dias exteriormente mais lindos e festivos são para seu espírito pontilhados de lágrimas; nas horas de espiritualidade mais doce, seu pensamento está ansioso, procurando alguma coisa, fugindo para algum lugar! A senhora, em tais momentos, se recorda mais fortemente de mim. E diz, sem palavras para o coração materno, saudoso: “A alegria seria mais completa se William estivesse conosco, a música me envolveria de todo a alma se ele a ouvisse ao meu lado”. E a sua ansiedade me busca longe e volto, incontinente, para senti-la mais completamente integrada comigo.

Ocorre a mesma situação com meu Espírito liberto da experiência corpórea. A contemplação de horizontes iluminados, as lições dos espíritos benevolentes e sábios, os quadros grandiosos que me são dados observar fazem-me lembrar seu carinho com maior insistência.

Se eu pudesse voltar a ser a criança que seus olhos espirituais viram no sonho desses dias, quando eu lhe lembrava a idade de 6 anos na vida espiritual — o que nos fez rememorar o passado doméstico — eu me refugiaria, pequenino, em seus braços carinhosos e diria aos seus ouvidos que — o seu filhinho sem a sua assistência sente frio no céu”. É o frio da saudade, mamãe, e às vezes o gelo n’alma, o gelo da impossibilidade de lhe ser mais útil, mais providencial.

Quero ficar ao seu lado enquanto seu coração estiver lutando… Não a deixarei. Todos os minutos disponíveis, todos os dias e todas as noites em que o Amor Divino me permitir, respirarei pessoalmente, ao redor de seus passos, amparando-lhe o coração.

De mim mesmo sei que nada valho, mas não nos esqueçamos de que Jesus é o arrimo de nós dois.

A subida é tão escarpada! Vejo sua alma crucificada nas aflições, mas seu pensamento já se equilibra, à distância, em nosso Plano…

Ouvi todas as orações no sítio que me guarda as derradeiras reminiscências do corpo que passou!

Não se sinta esquecida!… Estamos juntos com maior intensidade.

Suas lágrimas me tocaram. Com elas seu coração me deu as mais belas joias de confiança e ternura. Guardei-as comigo e pedi a Jesus lhe aliviasse o íntimo, repleto de preocupações, como o firmamento quando tocado de nuvens densas. E eu sei, mamãe, que Jesus ouviu nossas preces.

Tia Margarida trouxe um vaso de luz e lavou-lhe o coração. Aquelas sombras que sua mente trazia do lar se desfizeram!

Oh! Grande Deus! Sua alma clareou-se, seu pensamento converteu-se em bom ânimo e seu sentimento amenizado se refez de novo para lutar. Aquele cemitério não distante é bem simbólico. Representa o monte onde devemos orar distanciado do mundo. Depois de permutarmos nossas dores a balsamizar nossas chagas de saudade, a senhora volta para casa, como o piloto que não pode abandonar o navio em perigo e eu regresso a nova esfera de ação, qual o marinheiro que não pode desobedecer o comandante.

Mas, enquanto a luz da fé brilhar na fortaleza de seus sentimentos, inimigo algum nos vencerá.

É de nosso interesse sofrer tudo para resgatarmos tudo. Perdoe, por isso, a tudo o que vem ferindo sua alma. Estou a postos.

Sei quanto a luta se desenrola em torno de sua generosidade maternal.

Tanto quanto nos seja possível, beijemos as mãos que nos firam. Bem-aventurados os que padecem por amor, os que choram no silêncio apenas conhecido de Deus!

Tudo passa no mundo e a minha maior esperança está em sua chegada ao nosso porto.

Não deixe que as perseguições e incompreensões visíveis e invisíveis lhe roubem a bússola e o salva-vidas.

Quantos quiseram se aventurar, dentro da noite da indiferença, que Deus os proteja! Mas nós temos rumo certo. Jesus nos socorrerá sobre os acontecimentos do lar.

Os meninos compreenderão, mais tarde, as oportunidades que vão perdendo e o papai, mais doente embora não pareça, há de ser encaminhado por Deus à luz espiritual.

Uma certeza mantém o meu ânimo forte: é a segurança de sua fé viva na eternidade que nos espera. Com essa arma poderosa venceremos todos os obstáculos.

Depois, então, de nossa vitória, veremos o que será possível fazer pelos nossos entes queridos ameaçados em pleno mar de ilusão. No fundo, mamãe, esta é a nossa luta. Luta de redenção, de resgate.

Sempre que a dor estiver do nosso lado, o sinal é reconfortante quer dizer que vamos apagando as nódoas do pretérito, purificando a veste para o banquete sublime da luz.

Prossiga, valorosa, nos compromissos assumidos. Não farei outra coisa, senão marchar, passo a passo com o seu coração, com destino à estação do Resgate Final.

Estou muito satisfeito com seus estudos e com seus trabalhos mediúnicos. Sua colheita de bênçãos será tão formosa com só é possível ao seu merecimento. Carreguemos nossa Cruz, mas tenhamos o pensamento voltado para a Ressurreição.

A vida triunfará e o nosso amor é tão grande que ele em sua grandeza, já triunfou brilhantemente da morte para resplandecer em plena vida. Minhas lembranças afetuosas a todos e meus agradecimentos de coração ao Zeca pelo devotamento com que nos assiste. Choremos de alegria e conforto!

Abençoemos o nome de Jesus que nos reuniu para tanto consolo e tanta esperança, nestes inesquecíveis momentos de louvor e oração.

Tia Margarida, presente, agradece suas lembranças e abraça-os.

Adeus, mamãe. Este adeus quer dizer: “sempre a seu lado”, “não a esqueço”, “até logo”. Receba e guarde em sua alma o coração reconhecido do seu




Mensagem psicografada no sexto aniversário de William no Plano Espiritual, em 25 de setembro de 1947, estando presentes sua mãe Adélia e seu tio Zeca (José Flaviano Machado).


Referência ao novo plano de aprendizado do nosso querido William, na Espiritualidade.


Referência às recomendações dadas na mensagem do capítulo II, .


Referência às tarefas espirituais de Da. Adélia, dentre elas o trabalho mediúnico da psicofonia.



William
Francisco Cândido Xavier


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