Caminhos de Volta

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Capítulo XIX

Autodestruição


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Problema inquietante surgiu nas poucas horas em que tivemos contato com amigos de várias procedências em visita a Uberaba. Nada menos de dez pessoas afinavam-se com tendências ao suicídio. Esses irmãos, homens e mulheres de cidades e regiões muito diferentes, procuravam apoio na Doutrina Espírita para evitar as ideias de autodestruição. Não houve tempo para diálogos mais longos. Mas logo que iniciamos a reunião, O Livro dos Espíritos () nos trouxe a estudo a questão 950.

As explanações dos companheiros foram as mais felizes, demonstrando o desequilíbrio e o infortúnio que acompanham a desencarnação voluntária. E ao término das tarefas o nosso benfeitor espiritual, Emmanuel, tratando do assunto, assinou a página “Quase Suicida”.


QUASE SUICIDA

Quase suicida.

Sentimos-te o passo, à beira do precipício. Caindo quase.

Entretanto, estamos aqui buscando-te o coração para o reequilíbrio.

Ninguém te pode medir a dor, mas urge reconhecer que por mais que soframos, há sempre alguém na travessia de obstáculos maiores.

Abandona a ideia que te induz à própria destruição e medita.

Ainda há sol bastante para ser esperado amanhã, tanto quanto surgiu hoje.

Nem todas as estradas se fecham de vez no trânsito da vida.

E por mais anseies pelo fim, a morte é ilusão.

No trabalho e no repouso, na luz e na sombra, dentro do dia ou da noite, achamo-nos naquilo mesmo que fizemos de nós.

Não alargues, por isso, as feridas mentais que porventura carregues, acumulando cargas inúteis de aflição, porque além da cela corpórea de que pretendes afastar-te, reconhecer-te-ias simplesmente com tudo aquilo que fizeres de ti.

Recorda: a sabedoria da vida que regenera a erva mutilada tem remédio igualmente para qualquer de nossas dores.

Ergue-te do vale conturbado das próprias emoções e larga para trás o nevoeiro da negação e da dúvida.

Segue adiante. O trabalho salvador te espera o pensamento e as mãos.

Escuta. O gemido de um enfermo relegado ao desamparo ou o choro de uma criança sozinha te apontam aqueles que te aguardam a presença amiga como sendo a de um anjo com o divino poder de auxiliar.

Avança mais um tanto. A natureza materna conversará contigo pelo inarticulado da observação no silêncio. As árvores te falarão do prazer de ofertar os próprios frutos e a semente a renascer do claustro da terra te dirá que não há morte.

E quando a noite se te descobre, ante a jornada, os astros refletidos em teu olhar proclamarão por dentro de ti mesmo que força alguma te poderá despojar da condição luminosa de criatura de Deus.




Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


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