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Capítulo XV

Pais e filhos em conflito


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Emmanuel

Pais e filhos em conflito. É possível contes com eles na equipe familiar. Sofres por vê-los em contradição com as tuas ideias ou enlaçando experiências inquietantes e negativas. Entretanto, é imperioso te ilumines de paz e compreensão, a fim de entendê-los. Dá-lhes a palavra emoldurada de paciência e de amor, para que a tua voz se faça ouvida, e abençoa-os ainda mesmo quando te não aceitem o modo de pensar ou de ser.

Quase sempre, na Terra, os sentimentos que nos agridem, naqueles que se nos associam à existência física, são a colheita das plantações de ordem moral que levamos a efeito nas leiras afetivas do pretérito, a nos pedirem reajuste e renovação. E as chamadas complicações edipianas outra cousa não representam senão os laços obscuros que entretecemos, ao enlear almas quer?das no nosso carro sentimental — laços esses que passam a reclamar-nos o preciso desfazimento, para que a mútua libertação nos felicite.

O filho excessivamente vinculado ao coração materno, com manifesta dificuldade para ser ele próprio, na maioria das ocasiões é aquele mesmo companheiro que a genitora jungiu à própria senda, em épocas recuadas, a suplicar-lhe agora o apoio necessário, a fim de exonerar-se das algemas psicológicas que o prendem à insegurança. E a filha imensamente ligada ao espírito paternal, em sérios obstáculos para se lhe desvencilhar da autoridade, habitualmente é a mesma companheira que ele acorrentou ao próprio destino em experiências transatas, a implorar-lhe hoje o auxílio indispensável, a fim de se desembaraçar do egoísmo com que se lhe enviscou à influência, em nome do amor.

Quantos choques e quantos atritos, até que se estabeleçam as concessões recíprocas, através de vários ajustes cármicos em que uns e outros se vejam emancipados das condições obsessivas em que se interligaram!

Se trazes contigo esse ou aquele filho em conflito ou se te encontras à frente de pais difíceis, nunca te irrites nem condenes.

Ama-os quais se mostram e ora por eles, louvando-lhes a presença e respeitando-lhes as decisões, na certeza de que Deus, cuja infinita bondade tem zelado por nós, cuidará também deles. E de que nem eles nem nós fomos criados para o cativeiro afetivo, mas sim para sermos responsáveis e livres, de modo a trabalharmos conscientemente no aprimoramento da vida, ante a sublimação do amor imortal.


Reencarnação e complexos

Irmão Saulo

A descoberta do inconsciente levou Freud e seus discípulos a aprofundarem o problema dos complexos. Entre estes, o que mais se popularizou, por seu caráter dramático, foi o Complexo de Édipo, seguido do Complexo de Electra. Duas formas de conjuntos ídeo-afetivos que caracterizam os conflitos familiais. Muito antes da descoberta de Freud já o Espiritismo acentuava a importância do inconsciente encarando as manifestações anímicas no campo da mediunidade. Em abril de 1857 “O Livro dos Espíritos” colocava o problema do inconsciente e Freud nascera um ano antes. Isso não afeta em nada o valor e a significação dos trabalhos de Freud e seus sucessores. Mas é um dado histórico que coloca o Espiritismo em posição muito cômoda no trato dos problemas psicológicos.

Na mensagem de Emmanuel temos a colocação do problema dos complexos em termos espíritas. Emmanuel acentua a importância da teoria da reencarnação para uma compreensão melhor e mais humana — sobretudo mais humana — dos chamados “complexos parentais”. Diz ele : “… as chamadas complicações edipianas outra coisa não representam senão os laços obscuros que entretecemos, ao enlear almas queridas no nosso carro sentimental…”. A interpretação de Jung, ligando complexos e arquétipos, justifica esta maneira de ver a questão. A criança já traria consigo o arquétipo da mãe, a ideia da “mãe eterna ou divina” que é apenas despertada pela mãe concreta da atual existência.

O Espiritismo devolve ao .arquétipo de Jung a sua natureza humana. Não se trata da ideia da “mãe divina” (espécie de reminiscência platônica), mas da mãe real, concreta, de carne e osso, de uma existência anterior.

As pesquisas científicas de hoje sobre a reencarnação abrem novas possibilidades de compreensão dos conflitos entre pais e filhos. O Espiritismo, por isso mesmo; se torna mais apto a ajudar a Psicologia Profunda na descoberta das raízes verdadeiras das situações parentais conflitivas.

Como veem os leitores, as mensagens psicográficas de Chico Xavier não têm apenas um sentido religioso e moralizante. Não raro elas penetram nas profundezas de problemas que nos acostumamos a olhar de maneira superficial, mesmo quando os tratamos de um ponto-de-vista que nos parece profundo.



Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


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