Coletânea do Além [Feesp]

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Capítulo XXXV

A divina lição


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Quando o Grande Processado

Ouviu a condenação,

O povo esperava, aflito,

Os gestos de reação.


Não se dizia emissário

Da majestade de Deus?

Por que dobrar-se humilhado

À tricas de fariseus?


Não se afirmava o Senhor?

Não era o Divino Mestre?

Por que curvar-se à injustiça

No campo da dor terrestre?


Fala-se que Jesus

Era o Caminho, a Verdade,

A Vida Vitoriosa

No seio da Divindade…


Entretanto, pobre e humilde,

Em face da multidão,

Era Ele tido à conta

De feiticeiro e ladrão.


Vencido e dilacerado,

O sangue a empapar-lhe a fronte,

Contemplava, angustiado,

A fímbria azul do horizonte.


O povo, porém, não via

Nem milagres, nem sinais…

Onde o socorro divino

Das hostes celestiais?


Martírios e bofetadas.

E o Mestre não reagia,

Suportando a cruz pesada

Na túnica da ironia.


Que fazia o Condenado?

Por que não pedir dos céus

Incêndios, misérias, pragas,

Flagelações, escarcéus?


Onde os carros poderosos

De Jesus de Nazaré?

Onde as armas e soldados

Pela paz da nova fé?


O Justo, porém, na cruz,

Ouvindo perguntas mil,

Viu que a turba inda era frágil

Ignorante e infantil.


E o Mestre, fitando os Céus,

Deu a divina lição

Do amor que redime a vida

No silêncio e no perdão.




Casimiro Cunha
Francisco Cândido Xavier


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