Astronautas do Além

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Capítulo XXVI

Mocidade e velhice


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FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

Nossa reunião foi precedida por longa conversação entre os amigos que vinham de pontos diversos. O tema central era a idade física. Falava-se das criaturas que se sentem imprestáveis ainda na juventude, enquanto outras sentem-se vigorosas aos oitenta dezembros.

Por que isso? Por que existem homens desanimados aos vinte anos, quando outros se sentem ativos aos oitenta? Em que tempo se deve colocar o limite entre a mocidade e a velhice?

O assunto estava em plena agitação, quando as nossas tarefas começaram. E O Livro dos Espíritos, logo após, deu-nos para estudo a questão 680, () sobre os entendimentos em foco.

Ao término de nossas atividades, o nosso caro Emmanuel nos ofereceu a página intitulada Idade. É uma página simples, mas os amigos presentes solicitaram que ela faça, parte da coleção em lançamento com os seus edificantes comentários.


Madureza física nunca foi obstáculo para o Espírito sequioso de progresso. Em todos os distritos da vida a criatura é tão jovem quanto os ideais e esperanças que acalenta e tão gasta quanto o ceticismo ou o desânimo a que se entregue.

Muitos companheiros pretendem marcar a idade da pessoa adulta pelos sinais externos que demonstre; no entanto, isso é mera convenção.

Claro que se o motorista estima o carro que o coloca no centro dos interesses que lhe digam respeito, há de zelar pela conservação dos seus implementos. Ocorre o mesmo com o Espírito, inquilino do corpo que se lhe transforma em instrumento de manifestação: se deseja equilíbrio e segurança, esforçar-se-á por assegurar-lhe as mais sólidas condições de trabalho.


Se a criança é habitualmente medicada a fim de se desenvolver com eficiência, por que motivo a pessoa adulta deixará de tratar-se como se faz preciso para amadurecer fisicamente com a robustez possível, de modo a sustentar-se útil até as derradeiras possibilidades do veículo de que dispõe?


Não creias em velhice unicamente porque o tempo te haja dotado com valiosas experiências.

Convence-te de que és um Espírito imortal usando um corpo perecível. E se vives na disciplina do trabalho, com a ginástica do pensamento reto, conservarás sempre a juventude espiritual — a que se erige, por fonte de constante renovação, melhorando o presente e construindo o futuro.


Emmanuel


A juventude é a fase das esperanças e dos entusiasmos. José Ingenieros acentuou, em As Forças Morais, que “a juventude toca a rebate em toda renovação”. Mas na verdade falta-lhe a experiência, a vivência existencial (pois cada existência traz os seus problemas novos) para que ela possa controlar as suas forças e aplicá-las com eficiência. O Espírito, esse “inquilino do corpo” como Emmanuel o chama, () precisa de tempo para dominar a nova situação em que se encontra. Lembremos que Jesus só se entregou à sua missão na idade madura e Kardec só iniciou a Codificação do Espiritismo aos cinquenta anos de idade.

Devemos nos lembrar, por outro lado, que cada Espírito traz as suas dificuldades e muitas vezes precisa vence-las na fase juvenil a fim de sentir-se desembaraçado na, madureza e na velhice, para o cumprimento de seus novos encargos. Não é fácil atirar à beira do caminho os pesados fardos do passado, o que não raro demanda longos sacrifícios. Ingenieros tem razão ao assinalar a função renovadora da juventude, mas ele mesmo adverte que há jovens-velhos e velhos-jovens. Hoje, que a população mundial cresce velozmente, os jovens são maioria e fazem sentir a sua presença em todos os setores de atividade. Não obstante, são ainda os homens maduros e os velhos que dirigem o mundo. E até mesmo no campo novíssimo da astronáutica a experiência da maturidade se impôs sobre os arroubos da juventude.

A razão de Emmanuel é evidente. Não podemos crer em velhice quando vemos que o tempo nos traz a riqueza da experiência. Não há limite preciso entre juventude e velhice, quando o “inquilino do corpo” conseguiu dominar o seu instrumento e conservá-lo viril através dos anos. Esse “inquilino”, o Espírito, não envelhece. Pelo contrário, o tempo o aprimora e aguça, dando-lhe a juventude que se repete, cada vez mais bela e segura, em cada nova encarnação. A juventude terrena é um tempo de preparação do homem em cada existência. A juventude espiritual é a atualização dos poderes do espírito de maneira definitiva, acima da transitoriedade da matéria.


Irmão Saulo


Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


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