Tormentos da Obsessão

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CAPÍTULO 4

NOVOS DESCORTINOS

Menos de uma semana após a noite de convivência reconfortante com Dr. Bezerra de Menezes, recebemos novo convite, agora firmado por Dr. Ignácio Ferreira, para participarmos de novo encontro que deveria ocorrer no anfiteatro do Nosocômio, e cujo tema que por ele seria debatido, tinha por título Homicídios espirituais.

A hora aprazada, dirigimo-nos ao Sanatório da Esperança, e, em ali chegando, encontrando-nos com alguns dos amigos que participaram do evento anterior, seguimos ao belo recinto, onde se realizavam diversas conferências e se debatiam temas de interesse comum, pertinentes aos transtornos obsessivos.

Alguns dos companheiros que se reuniram conosco haviam exercido o sacerdócio médico na Terra, na área da psiquiatria, de que se desincumbiram a contento, porquanto conseguiram conciliar o conhecimento acadêmico com as informações salutares da Doutrina Espírita, que melhor elucidam as psicogêneses das diversas perturbações psíquicas, incluindo a cruel obsessão.

Quando alcançamos o local, um suave burburinho percorria as galerias que se apresentavam repletas.

Uma ansiedade saudável pairava em quase todas mentes, aguardando a presença do conferencista que, na Terra, havia participado de atividades ainda pioneiras nesse campo delicado da saúde mental.

Dr. Ignácio Ferreira houvera experiênciado com muito cuidado, enquanto no corpo físico, o tratamento de diversas psicopatologias incluindo as obsessões pertinazes, no Sanatório psiquiátrico que erguera na cidade de Uberaba, e que lhe fora precioso laboratório para estudos e aprofundamento na psique humana, especialmente no que diz respeito ao inter-relacionamento entre criaturas e Espíritos desencarnados.

A Sra.

Maria Modesto Cravo, se iniciara pelas mãos abnegadas do nobre Espírito Eurípedes Barsanulfo, quando os fenômenos insólitos passaram a perturbá-la, e, graças à sua faculdade preciosa, revelou-se abnegada servidora do Bem.

De sua segura mediunidade se utilizavam os bons Espíritos, particularmente o próprio Eurípedes, para o ministério do esclarecimento dos estudiosos, assim como para a prática da caridade.

A gentil dama, que se vinculava à religião católica com o fervor característico do coração feminino, subitamente passou a ser acometida por clarividência lúcida, ao tempo em que fenômenos elétricos a afligiam, sempre quando tocava objetos metálicos, produzindo-lhe peculiares choques.

Sem explicação para a ocorrência, que a desorientava compreensivelmente, após ouvir alguns médicos locais que ignoravam completamente a causa de tais sucessos, consultou constrangidamente o nobre missionário sacramentano, que logo a submeteu a cuidadosa anamnes e, constatando-lhe a mediunidade responsável pelas ocorrências aflitivas.

Após esclarecê-la em torno da causa daqueles distúrbios, propôs-lhe o estudo sério do Espiritismo, no que foi atendido com respeito e consideração, com o que também anuiu o dedicado esposo, intrigado que se encontrava com a singularidade daquelas manifestações totalmente estranhas.

Numa das experiências de educação da mediunidade, e encontrando-se a respeitável senhora em transe profundo, um dos guias espirituais comunicouse, explicando as razões da fenomenologia e recomendando os cuidados compatíveis, a fim de que a senhora bem pudesse exercer o compromisso superior que trouxera programado antes da sua atual reencarnação, a fim de contribuir eficazmente em favor dos enfermos mentais e de outras pessoas com distúrbios transitórios de comportamento.

Durante muitos anos a digna dama submeteu-se às instruções dos seus abnegados Mentores, encarnado e desencarnado, trabalhando com disciplina e devotamento, havendo, ao desencarnar, conseguido a palma da vitória, sendo mais tarde convocada para prosseguir no mesmo serviço em nossa esfera da ação.

No momento reservado para o início da conferência, adentraram-se no auditório, além do conferencista, o respeitável Eurípedes e D.

Maria Modesto.

Ato contínuo, e sem desnecessárias explicações, Eurípedes proferiu emocionada oração, logo apresentando o orador, que assomou à tribuna, enquanto os seus acompanhantes sentaram-se à mesa, ao lado do que presidia a reunião.


Dr. Ignácio encontrava-se sereno e bem apessoado. Ante o silêncio que se fez natural, ele começou a exposição, utilizando-se da saudação que caracterizava os encontros entre os cristãos primitivos:

— Que a paz de Deus seja conosco! "Peregrinos do carreiro das reencarnações, buscando a iluminação e a paz, temos mergulhado no corpo e dele saído, graças à abnegação dos generosos Guias que se responsabilizam pelas nossas tentativas evolutivas.

Desse modo, a Terra continua sendo para nós, o colo de mãe generosa, que nem todos temos sabido preservar em elevado conceito.

Honrados com as oportunidades sucessivas do processo de crescimento interior, sempre nos apresentamos conforme as conquistas realizadas nas experiências anteriores que nos assinalam os passos, havendo contribuído para que rompêssemos as duras algemas da ignorância, da perversidade e do primarismo.

Juguiados, porém, às ações que não soubemos praticar com a elevação necessária, repetimos comportamentos ou avançamos sempre tendo em vista a conquista interior de valores que jazem adormecidos.

Vítimados pela preguiça mental, em grande número não conseguimos avançar quanto seria desejável, e, por isso, formamos grupos de repetidores de lições que permanecem inaproveitadas.

O egoísmo, esse algoz implacável de cada um de nós, tem sido o adversário declarado do nosso processo de desenvolvimento espiritual.

Face à sua dominação, resvalamos para o orgulho, a presunção, logo despertamos para a razão, atribuindo-nos vaiares que estamos longe de possuir.

Por consequência, tornamo-nos hipersensíveis em relação à conduta pessoal, disputando créditos que não possuímos em detrimento das demais criaturas nossas irmãs. "Esse comportamento malsão tem-nos gerado antipatias que poderiam ser evitadas, atritos que não se encontravam programados, preconceitos que somente nos têm retido na retaguarda.

Incapazes de discernir o que podemos fazer em relação ao que devemos, atribuímo-nos recursos de que não dispomos; ao invés de nos esforçarmos por viver a lídima fraternidade, nos separamos em grupos que se hostilizam reciprocamente, semeando discórdias e divisionismos ingratos, que se nos transformam em algemas de sombra e de dor. "Mesmo quando convidados por Jesus para uma saudável mudança de conduta, as vaidades intelectuais hauridas nas Academias ou fora delas nos assaltam, conduzindo-nos à soberba e fazendo-nos desdenhar o Mestre que não frequentou Escolas especializadas, por considerarem-nO mito ou arquétipo embutido em nosso inconsciente.

Em decorrência dessa perturbadora atitude, derrapamos em lamentáveis situações de angústia e de desajuste, que nos têm mantido distantes do conhecimento profundo do Espírito, somente ele capaz de nos libertar totalmente da ditadura do ego.

É essa postura doentia, gerada pela vaidade e sustentada pelas ilusões do corpo, que nos tem desviado do roteiro que deveremos seguir, a fim de conquistarmos por definitivo a plenitude na vida eterna. "Soa, no entanto, o momento próprio para a nossa definição espiritual frente aos desafios que nos chegam e aos apelos que nos são dirigidos de toda parte, seja dos corações aflitos no corpo fisico ou daqueloutros que se perderam nos dédalos das paixões primitivas de que ainda não se conseguiram libertar.

Não é, desse modo, por acaso, que aqui nos reunimos mais uma vez sob as bênçãos do sábio Psicoterapeuta, que é Jesus. " Houve uma breve pausa, para facultar-nos acompanhar com atenção os enunciados oportunos.

Suave brisa perpassava pelo amplo anfiteatro.


Todos nos mantínhamos serenos e atentos, sintonizados com o pensamento do expositor, que logo prosseguiu:

—A grandeza da vida se expressa através de inumeráveis maneiras, porquanto, envolvido pelo corpo físico ou sem ele, estua rico de vida o ser espiritual.

Enquanto mergulhado no denso véu da carne, entorpece-lhe parte do discernimento e a visão global se lhe torna limitada.

No entanto, ao despirse do envoltório material, é recuperada a plenitude das funções, podendo avaliar o resultado das experiências vividas, das construções edificadas e dos planos anteriormente traçados, se foram executados conforme sua elaboração ou se houve malogro entre a intenção e a ação.

Sempre, porém, luz a divina misericórdia amparando, inspirando, conduzindo, ensejando o crescimento infinito do Espírito.

No entanto, face à rebeldia que se demora na conduta de expressiva maioria, eis que adia a felicidade, equivocando-se, para depois reparar, comprometendo-se, para mais tarde recuperar-se, adquirindo resistências, para vencer o mal que nele permanece, avançando sempre e sem cessar.

Mesmo nas aparentes existências malsucedidas, adquire valores que irão contribuir para a sua plena realização, porquanto nada permanece inútil nesse processo ascensional.

A aprendizagem, por isso mesmo, é conseguida através do erro e do acerto, da percepção do fato e de como realizá-lo, bem como da iluminação, que são verdadeiras metodologias para aprimorar cada aluno na Escola da vida. "É mediante esse agir e arrepender-se, quando equivocado, que surgem as vinculações dolorosas, exigindo reparações igualmente aflitivas.

Isso, porque, raramente, o erro é individual. Quase sempre acontece envolvendo outras pessoas com as quais se convive ou junto a quem se estabelecem programas de afetividade, de interesses comuns, de lutas necessárias.

E toda vez que alguém defrauda a confiança, ou burla o respeito e a dignidade de outrem, estabelecem-se vínculos perturbadores entre o agente e a sua vítima que, destituída de elevação moral, ao invés de esquecer e perdoar, atormenta-se nos cipoais da vingança, desejando cobrar os males de que se crê objeto.

Não estando preparados para entender que o mecanismo do progresso exige disciplina e testemunho, os temperamentos arbitrários rebelam-se e se propõem fazer justiça com as próprias mãos, em atentado grave contra a ordem estabelecida e a própria Vida.

Ninguém, porém, pode ser juiz honesto em causa própria, por impossibilidade de harmonizar ou de eliminar as emoções que ditam comportamentos quase sempre egoísticos e perturbadores.

Assim, as malhas da rede obsessiva se vão estabelecendo, vinculando negatívamente uns indivíduos aos outros, aqueles que se agridem e se desconsideram. "Por consequência, a obsessão é pandemia que permanece quase ignorada embora a sua virulência, para a qual, na sua terrível irrupção, ainda não cogitaram os homens de providenciar vacinas preventivas ou terapias curadoras.

Tão antiga e remota quanto a própria existência terrestre — por decorrência das afinidades perturbadoras entre os homens — todos os Guias religiosos se lhe referiram com variedade de designações, sempre utilizando-se dos mesmos métodos para a sua erradicação, tais: o amor, a piedade, a paciência e a caridade para com os envolvidos na terrível trama.

Passados os períodos em que viveram, e os seus discípulos, quase de imediato, olvidaramse de levar adiante pela prática, essas específicas lições que receberam.


Face à tendência para o envolvimento emocional com o mitológico, não poucas vezes têm confundido a revelação do fenômeno mediúnico com ideias de arquétipos que jazem semi-adormecidos no inconsciente, e que passam a ocupar as paisagens mentais, sem os correspondentes critérios de compreensão, para investir esforços na sua equação, desse modo transferindoos para a galeria do fantástico e do sobrenatural. " Desejando que o auditório absorvesse as reflexões psicológicas e históricas da sua proposta, silenciou por breves segundos, dando prosseguimento:

—Graças à valiosa contribuição científica do Espiritismo no laboratório da mediunidade, constatando a sobrevivência do ser e o seu intercâmbio com as criaturas terrestres, a obsessão saiu do panteão místico para fazer parte do dia a dia de todos aqueles que pensam.

Enfermidade de origem moral, exige terapêutica específica radicada na transformação espiritual para melhor, de todos aqueles que lhe experimentam a incidência.

Ocorre, no entanto, como é fácil de prever-se, que essa psicopatologia, qual sucede com outras tantas, sempre apresenta, no paciente que a sofre, graves oposições para o seu tratamento.

Quando, ainda lúcido, o mesmo se recusa receber a conveniente orientação, e, à medida que se lhe faz mais tenaz, as resistências interiores se expressam mais vigorosas.

De um lado, em razão da vaidade pessoal, para não parecer portador de loucura, particularmente porque assim se sente, e, por outro motivo, quando sob os camartelos das obsessões, porque o agente do distúrbio cria dificuldades no enfermo, transmitindo-lhe reações violentas, para ser evitado o tratamento especial.

Em todos os casos, porém, o tempo exerce o papel elevado de convencer a vítima da parasitose espiritual, através do padecimento ultriz, quant o à necessidade de submeter-se aos cuidados libertadores. "Iniciando-se de forma sutil e perversa, a obsessão, salvados os casos de agressão violenta, instala-se nos painéis mentais através dos delicados tecidos energéticos do perispírito até alcançar as estruturas neurais, perturbando as sinapses e a harmonia do conjunto encefálico.

Ato contínuo, o quimismo neuronial se desarmoniza, face à produção desequilibrada de enzimas que irão sobrecarregar o sistema nervoso central, dando lugar aos distúrbios da razão e do sentimento.

Noutras vezes, a incidência da energia mental do obsessor sobre o paciente invigilante irá alcançar, mediante o sistema nervoso central, alguns órgãos físicos que sofrerão desajustes e perturbações, registrando distonias correspondentes e comportamentos alterados.

Quando se trata de Espíritos inexperientes, perseguidores desestruturados, a ação magnética se dá automaticamente, em razão da afinidade existente entre o encarnado e o desencarnado, gerando descompensações mentais e emocionais.

Todavia, à medida que o Espírito se adestra no comando da mente da sua vítima, percebe que existem métodos muito mais eficazes para uma ação profunda, passando, então, a executá-la cuidadosamente.

Ainda, nesse caso, aprende com outros cômpares mais perversos e treinados no mecanismo obsessivo, as melhores técnicas de aflição, agindo conscientemente nas áreas perispirituais do desafeto, nas quais implanta delicadas células acionadas por controle remoto, que passam a funcionar como focos destruidores da arquitetura psíquica, irradiando e ampliando o campo vibratório nefasto, que atingirá outras regiões do encéfalo, prolongando-se pela rede linfática a todo o organismo, que passa a sofrer danos nas áreas afetadas. "Estabelecidas as fixações mentais, o hóspede desencarnado lentamente assume o comando das funções psíquicas do seu hospedeiro, passando a manipulá-lo a bel-prazer.

Isso, porém, ocorre, em razão da aceitação parasitária que experimenta o enfermo, que poderia mudar de comportamento para melhor, dessa forma conseguindo anular ou destruir as induções negativas de que se torna vítima.

No entanto, afeiçoado à acomodação mental, aos hábitos irregulares, compraz-se no desequilíbrio, perdendo o comando e a direção de si mesmo.

Enquanto se vai estabelecendo o contato entre o assaltante desencarnado e o assaltado, não faltam a este último inspiração para o bem, indução para mudança de conduta moral, inspiração para a felicidade.

Vítimado, em si mesmo, pela auto compaixão ou pela rebeldia sistemática, desconsidera as orientações enobrecedoras que lhe são direcionadas, acolhendo as insinuações doentias e perversas que consegue captar. "Muita falta faz a palavra de Jesus no coração e na mente das criaturas humanas em ambos os lados da vida.

Extraordinária fonte de sabedoria, as Suas lições constituem mananciais de saúde e de paz que plenificam, assim que sejam vivenciadas, imunizando o ser contra as terríveis perturbações de qualquer ordem.

Mas o mundo ainda não compreende conscientemente o significado do Mestre na sua condição de Modelo e Guia da humanidade, o que é lamentável, sofrendo, as consequênciaS dessa indiferença sistemática. " Novamente o orador fez oportuna pausa na sua alocução.

Enquanto isso ocorria, o meu cérebro esfervilhava de interrogações em torno do tema palpitante.

Não havia, porém, tempo para desvincular-me do raciocínio fixado nas suas palavras.

Dando continuidade, Dr. Ignácio Ferreira aduziu: - Como a inspiração espiritual se faz em todos os fenômenos da Natureza, inclusive nas atividades humanas, é compreensível que, além das tormentosas obsessões muito bem catalogadas por Allan Kardec, simples, por fascinação e subjugação — os objetivos mantidos pelos perseguidores sejam muito variados.

Eis porque as suas maldades abarcam alguns dos crimes hediondos, tais como: autocídios, homicídios, guerras e outras calamidades, face à intervenção que realizam no comportamento de todos aqueles que se afinizam com os seus planos nefastos.

Agindo medi ante hábeis programações adrede elaboradas, vão conquistando as resistências do seu dependente mental, de forma que, quase sempre, porque não haja uma reação clara e definitiva por parte da sua vítima, alcançam os objetivos morbosos a que se entregam enlouquecidos. "Quando das suas graves intervenções no psiquismo dos seus hospedeiros, suas energias deletérias provocam taxas mais elevadas de serotonina e noradrenalina, produzidas pelos neurônios, que contribuem para o surgimento do transtorno psicóticomaníaco-depressivo, responsável pela diminuição do humor e desvitalização do paciente, que fica ainda mais à mercê do agressor.

É nessa fase que se dá a indução ao suicídio, através de hipnose contínua, transformando-se em verdadeiro assassínio, sem que o enfermo se dê conta da situação perigosa em que se encontra.

Sentindo-se vazio de objetivos existenciais, a morte se lhe apresenta como solução para o mal-estar que experimenta, não percebendo a captação cruel da ideia autocida que se lhe fixa na mente.

Não poucas vezes, quando incorre no crime infame da destruição do próprio corpo, foi vitimado pela força da poderosa mentalização do adversário desencarnado.

Certamente, há, para o desditoso, atenuantes, em razão do processo malsão em que se deixou encarcerar, não obstante as divinas inspirações que não cessam de ser direcionadas para as criaturas e as advertências que chegam de todo lado, para o respeito pela vida e sua consequente dignificação. "O mesmo fenômeno ocorre quando se trata de determinados homicídios, que são planejados no mundo espiritual, nos quais os algozes se utilizam de enfermos por obsessão, armando-lhes as mãos para a consumpção dos nefastos crimes.

Realizam o trabalho a longo prazo, interferindo na conduta mental e moral do obsesso, a ponto de interromperem-lhe os fluxos do raciocínio e da lógica, aturdindo-os e dominando-os.

Tão perversos se apresentam alguns desses perseguidores infelizes quão desnaturados, que se utilizam da incapacidade de reação dos pacientes para os incorporar, podendo saciar sua sede de vingança contra aqueles que lhes estão ao alcance.

Utilizando-se do recurso da invisibilidade material, covardemente descarregam a adaga do ódio nas vítimas inermes, tombando, mais tarde, na própria armadilha, porquanto não fugirão da justiça divina instalada na própria consciência e vibrando nas Leis cósmicas, que sempre alcançam a todos. "De maneira idêntica, desencadeiam guerras entre grupos, povos e nações, cujos dirigentes se encontram em sintonia com as suas terríveis programações, formando verdadeiras legiões que se engalfinham em lutas encarniçadas visando alcançar os objetivos infelizes a que se propõem.

Passam desconhecidas essas causas, que os sociólogos, os políticos, os psicólogos, os religiosos não conseguem detectar, mas que estão vivas e atuantes nas paisagens terrestres, e a reencarnação se encarregará de corrigir sob a sublime direção de Jesus.

Quedou-se o orador em rápida reflexão, enquanto nos dávamos conta da gravidade das obsessões geradoras de tumultos e desgraças coletivas, através daqueles que se lhes tornavam instrumentos dóceis ao comando, na condição de inimigos da Humanidade.

O tema apresentava-se muito mais profundo e grave do que podíamos imaginar, embora não ignorássemos, por dedução, que assim ocorria.


Não havia tempo para mais amplas ponderações, porque o preclaro orador continuou com a palavra:

—Na raiz de inumeráveis males que afetam a coletividade humana, encontramos o intercâmbio espiritual manifestando-se com segurança.

As obsessões campeiam desordenadamente.

Isto não implica em dar margem ao pensamento de que as criaturas terrestres se encontram à mercê das forças desagregadoras da erraticidade inferior.

Em toda parte está presente a misericórdia de Deus convidando ao bem, ao amor, à alegria de viver.

A opção inditosa, no entanto, de grande número de criaturas é diversa dessa oferta, o que facilita a assimilação das ideias tenebrosas que lhe são dirigidas.

Assim mesmo, ante a preferência das terríveis alucinações, o amor paira soberano aguardando, e quando não é captado, a dor traz de volta o calceta, encaminhando-o para o reto proceder mediante o oportuno despertar. "Todos esses criminosos espirituais, terminadas as batalhas em que se empenham, passam a experimentar incomum frustração por haverem perdido as metas que desapareceram e por darem-se conta dos tormentos íntimos em que naufragam, descobrindo-se sem objetivo nem razão de continuar a viver...

E como não podem fugir da vida em que se encontram, são atraídos compulsoriamente às reencarnações dolorosas, experimentando os efeitos das hecatombes que ajudaram a ter lugar.

Mergulham, então, na grande noite terrestre do abandono, da loucura, das anomalias, emparedados em enfermidades reparadoras, experimentando rudes expiações, que lhes serão a abençoada oportunidade para reencontrar o caminho do futuro... "O Mestre Jesus foi enfático, ao enunciar: — Vinde a mim todos vós que estais cansados e eu vos aliviarei, complementando com segurança: — Em verdade vos digo que ninguém sairá dali (do abismo) enquanto não pagar até o último ceitil.

Ele alivia todos aqueles que O buscam sob o pesado fardo das aflições, entretanto, é necessário que a dívida moral contraída contra a Vida seja resgatada até o último centavo, quando então, o devedor se sentirá equilibrado para conviver com aquele que lhe padeceu a impiedade, sendo perdoado e reconciliando-se com a própria consciência e o seu próximo.


Somente, portanto, através do perdão e da reconciliação, da reparação e da edificação do bem incessante, é que o flagelo das obsessões desaparecerá da Terra de hoje e de amanhã, pelo que todos nós devemos empenhar desde este momento. " Demonstrando emoção bem controlada, concluiu:

— O amor é o bem eterno que sobrepaira em todas as situações, mesmo nas mais calamitosas, apontando rumos e abrindo espaços para a realização da felicidade total.

Vivê-lo em clima de abundância, é o dever a que nos devemos propor, inundando-nos com a sua sublime energia que dimana de Deus. "Que esse amor, procedente de nosso Pai, nos permeie todos os pensamentos, palavras e ações, são os votos que formulamos ao terminarmos a rápida análise em torno desse tema palpitante. " Logo foi concluída, com simplicidade e profundeza a exposição, o venerável Eurípedes assomou à tribuna e dirigiu palavras estimuladoras aos presen tes, encerrando a reunião com sentida prece, que a todos nos reconfortou.

Porque diversos ouvintes se houvessem acercado do Dr. Ignácio Ferreira, fizemos o mesmo, endereçando-lhe algumas rápidas questões, que foram respondidas com bonomia e gentileza.

Interessado em aprofundar estudos em torno do tema exposto e outros que haviam conduzido pacientes desencarnados à internação no Nosocômio espiritual, indaguei ao gentil diretor se me permitiria realizar um estágio naquele reduto de amor e de recuperação mental e emocional, a fim de ampliar estudos e conhecimentos que me facultassem maior crescimento íntimo.

Como se aguardasse a solicitação apresentada, o dedicado médico, com suave expressão de júbilo no rosto, aquiesceu de imediato, oferecendo-se, inclusive, para acompanhar-me, quanto lhe permitissem os deveres, e quando impossibilitado, me proporcionaria a ajuda de competente psiquiatra que ali colaborava com devotamento e abnegação.

Sem titubear, aceitamos a gentileza e despedimo-nos, logo alguns dos amigos se preparavam para sair, rumando com eles aos deveres a que nos vinculamos.

A noite, salpicada de estrelas e banhada de luar, era um convite a reflexões profundas sobre o amor de nosso Pai, sempre misericordioso e sábio.

Banhado por essa quase mágica claridade dos astros, pude ver o planeta terrestre querido, de onde procedia, envolto em sombras no seu giro colossal em torno do Astro-Rei, e não sopitei o sentimento de gratidão e de saudade das suas paisagens inesquecidas.




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