Encontro com a Paz e a Saúde

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CAPÍTULO 1

EXPERIÊNCIAS HUMANAS E EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO

Indubitavelmente, o espírito modela o corpo através do perispírito, conforme as necessidades da sua evolução.

Cada conquista granjeada, cada experiência adquirida, amplia-lhe as possibilidades de construção dos equipamentos orgânicos indispensáveis aos novos cometimentos, mediante os quais liberta-se dos limites em que se detém, adquirindo novas faculdades ilumi-nativas.

Assim, as experiências iniciais desenvolveram-lhe o Complexo R ou cérebro réptil, preparando as áreas para o futuro cérebro mamífero, mediante o qual melhor se expressariam os animais portadores de mais amplas complexidades, tanto para a sobrevivência do espécime mais forte, assim como para o desenvolvimento de aptidões significativas, que culminariam no surgimento do neocórtex e de toda a sua intrincada aparelhagem para a manifestação da inteligência, do discernimento, do sentimento, da emoção, da paranormalidade...

Dessa fase primária até o período em que se lhe inicia o processo de humanidade, todo um pego se faz de experiências no mundo espiritual como no físico, definindo os rumos necessários à verticalização do corpo e sua ascensão de natureza moral, que se manifesta nos pródromos da sensibilidade emocional, definidora de rumos futuros.

O pensamento arcaico vigente nesse estágio como homem primitivo, representava uma grosseira manifestação do psiquismo divino de que se fazia herdeiro natural, em face da sua origem, obnubilado, porém, pelos equipamentos cerebrais incapazes da decodificação das ideias e do entendimento dos fenômenos que defrontava no habitat terrestre agressivo e hostil.

Todo ele apresentando-se como um formidando aglomerado de automatismos que se expressavam através dos instintos primários - a reprodução, a alimentação e o repouso - a sua era uma experiência instintiva, contínua, sem qualquer contato com a realidade que o cercava.

Dispondo apenas da observação não-racional, feno-mênica pela repetição dos acontecimentos, experiênciava o sofrimento asselvajado através das sensações de dor, de frio, de calor, não conseguindo compreender a sua razão, e muito menos como comportar-se diante dele.

Nutrindo-se de raízes e de frutos como os demais animais, por onde transitara o seu psiquismo, esse condicionamento herdado das vivências antigas impulsionava-o a dar-se conta das diferentes manifestações da claridade e da sombra, da chuva e da seca, das nevascas e da sua ausência, dos seres que desapareciam ou que deixavam de mover-se como antes faziam, da sua decomposição orgânica, da agressividade dos animais ferozes e de outros seres seus semelhantes, diferentes apenas dos ancestrais pela forma de equilibrar-se em dois pés...

Vigia, no seu cérebro, incapaz de entender as ocorrências, o pensamento vago, não-concatenado, que se foi ampliando através das fixações dos acontecimentos que o induziam a compreender o tempo através do aparecimento do Sol e da Lua, das suas fases de presença e de ausência, das intempéries, dos fenômenos sísmicos, da hostilidade do meio ambiente em que se encontrava...

A ausência do pensamento lógico e as circunstâncias em que se movimentava, facultavam-lhe a manifestação muito primária do arquétipo primordial, em forma arcaica, imprimindo no cérebro as impressões repetitivas que desenvolveríam, a longas penas, o Se//encarregado de transferir para as existências futuras, graças aos inconscientes coletivo e individual, os recursos preser-vadores dessas experiências.

Esse automatismo, pensamento primitivo - o amor de Deus no cerne do ser em desabrochamento - repetia as façanhas do primarismo animal, quando, por exemplo, a fera lambendo e limpando o filho, expressaria no futuro, o ósculo materno na face do ser que lhe nasce do ventre.

Enquanto alguns desses animais ainda devoram a placenta e retiram os líquidos adesos ao corpo do recémnascido com a língua, a mulher-mãe hoje acompanha o asseio do ser amado com deslumbramento e recebe-o nos braços, quando não lhe é colocado sobre o corpo, a fim de que ele continue experimentando a segurança que desfrutava no reduto intrauterino em que se desenvolveu durante nove meses...

Todo um processo evolutivo se desencadeou através dos sucessivos milênios, desde as formas antropoides até o homo tecnologicus, no qual o pensamento racional amplia a sua capacidade e torna-se virtual, adquirindo recursos para alcançar os parâmetros cósmicos, numa abrangência de ser numinoso, conforme a visão profunda de Rudolf Otto, o admirável filósofo e teólogo alemão.


Processo antropossociopsicológico

O psiquismo humano lentamente desenvolveu-se através das sucessivas investiduras carnais, transferindo cada conquista realizada para a nova etapa, de modo que se transformasse em possibilidade de crescimento e de riqueza interior.

Vivendo na floresta, onde tudo se apresentava agressivo, automaticamente esse hominídeo que trazia da sua origem - o mundo espiritual - alguns registros em forma de condicionamentos psíquicos, estes dados impulsionavam, embora muito lentamente, o cérebro a criar componentes neuronais para as funções pertinentes, que deveríam ser utilizadas no futuro, nas etapas mais nobres do seguimento intelecto-moral.

Desse modo, o medo surgiu-lhe como a primeira emoção, acompanhando as sensações primárias do prazer alimentar, do repouso e do sexo, que se irá transferir, de geração em geração, até aos nossos dias, nas variantes de receio, pavor, fobias...

Em face do mesmo, resultado também do desconforto ante as intempéries, começou a copiar os animais, cobrindo-se de folhas, peles, nos climas frios, ou mantendo-se despido, nos quentes, logo refugiando-se na furna, onde experimentou segurança.

Esse fenômeno desenvolveu-lhe o pensamento arcaico ou prémágico, responsável pelo instinto de conservação da vida, com mais definição do que a soberania do mais forte, que permanecerá por longos pelagos até mesmo na atualidade.

A observação das árvores que se incendiavam, quando as descargas elétricas das tempestades as atingiam, ou graças à autocombustão das que eram resinosas, nos fortes períodos de estio, impeliu-o a atritar pedaços de madeira e de pedras, copiando a ocorrência natural, assim produzindo faíscas e descobrindo o fogo, de inestimável serventia.

Esse fogo o aqueceu no inverno, ajudou-o a espantar os elementos perturbadores - animais e outros semelhantes a ele - facilitandolhe mais tarde, na caça e na pesca, o assar e cozer dos alimentos.

Não poucas vezes, queimando-se nas chamas, com as fagulhas ou o calor intenso, começou a perceber pelo pensamento o significado das labaredas e a sua posterior utilidade.

O arquétipo primordial que nele jazia, proporcionou-lhe o sentimento de proteção à prole, também vigente nas faixas anteriores da evolução por onde transitara, desenhando a futura constituição do clã, da família biológica, ensaio natural para a organização daquela de natureza universal.

A furna era-lhe segurança, agasalho, porque o defendia dos inimigos: os animais ferozes e humanos outros, no entanto, vitimado uma que outra vez pelos mesmos, saiu do abrigo na furna para construir as primeiras habitações, ora no alto das árvores, ora no solo, apesar de rudimentares, que se foram tornando mais complexas, conforme as necessidades lhe impunham em forma de mais garantia e agrado, preservando-lhe a vida.

As sensações lentamente abriram-lhe espaço mental para as emoções elementares, iniciais, acompanhando o pensamento em formação, ainda arcaico, a mais amplo desenvolvimento.

Não tendo a capacidade de entender as ocorrências, especialmente aquelas de natureza destrutiva, expe-rienciou a estranha emoção do medo asselvajado, que o fazia fugir, tendo em vista que, nas vezes em que as enfrentou, foi, por elas, vitimado.

A repetição contínua produziu-lhe o que hoje se denomina como a experiência do centésimo macaco, conforme o Dr. Lyal Watson. A investigação consistiu em serem atiradas por cientistas observadores do comportamento dos símios, após a Segunda Guerra Mundial, batatas doces aos macacos que viviam na 1lha Koshima, e que, embora as recolhessem, não as podiam comer, mesmo tentando, porque ficavam sujas com areia.

Um porém, de nome Imo, designação que lhe foi atribuída, pela primeira vez as lavou e comeuas, sendo imitado pelos demais que, oportunamente, as lavaram também, proporcionando ao alimento um sabor especial.

Quando o centésimo macaco repetiu a façanha, todos os demais, de todas as ilhas do oceano pacífico, sem nenhum contato, passaram igualmente a lavá-las.

Esse fantástico fenômeno de transmissão de experiências, sem contato direto, certamente aconteceu com os homens primitivos que, diante do medo, vivenciaram o avançar-ou-recuar, optando pela fuga, exceto quando, em faixa mais adiantada em relação ao pensamento, reuniam-se para a caça de animais de muito maior porte, usando objetos agressivos, tais como pedras lascadas, polidas, lanças, armadilhas...

Nada obstante, o enfrentamento direto sempre impulsionou-os à fuga, à busca de proteção e de manutenção da vida.

O medo, decorrente do fenômeno da perda da sobrevivência, instalou-se-lhe em forma inconsciente, como a problemática da morte, que ainda constitui para a criatura contemporânea, enriquecida pela ciência e pela tecnologia, fator primacial de transtornos de conduta, especialmente no que se refere à depressão, quando se trata da desencarnação de alguém querido ou da própria pessoa.

Inconscientemente, muitas vezes, ressuma nos indivíduos esse pavor da morte, tornando-se patológico, desesperador, tendo a causa remota no inconsciente coletivo - o medo das devastadoras forças ignotas do passado - e a próxima, no individual, como reminiscência de fenômenos atormentantes relativos à existência anterior desencadeadora do conflito.

A evolução é lei inevitável, e entre uma e outra re-encarnação eram fomentadas experiências evolutivas na Erraticidade, preparando o perispírito para modelações neuronais e fisiológicas propiciadoras de conquistas na área desse pensamento pré-mágico, quando as ideias eram como fantasias do inconsciente, transformadas em realidade, dando lugar às construções das palafitas, das excursões pelos rios, pântanos e lagos, encontrando outros seres semelhantes e deixando-se arrastar pelos acontecimentos imprevisíveis.

As observações em torno da Natureza fizeram-se mais aguçadas, tendo lugar a imitação dos sons animais, que abriu espaço para as primeiras comunicações rupestres, grafadas nas rochas que os abrigavam ou não, iniciando-se a verbalização, mediante sinais e sons articulados, que se imprimiram nos refolhos da alma, transferindo-se de uma para outra geração até a formação das palavras, sua elaboração gráfica, o êxito gramatical e fonético.

Começando a saber como comportar-se diante das forças desconhecidas e temerárias que dominavam a Terra, esse homem agora sonhador desenvolveu o pensamento mitológico ou mágico, fascinado pela abundância de expressões vivas a sua volta, perturbadoras umas, abençoadas outras, podendo situar-se com equilíbrio no solo, passando às edificações trabalhadas com refinamento ou não, protetoras e seguras.

A pouco e pouco, vinha dominando o solo, ense-mentando-o e colhendo o resultado do esforço, compreendendo as estações felizes e as difíceis, aprendendo a armazenar para os períodos menos prósperos, equipando-se de instrumentos que o habilitavam para uma existência mais confortável e amena, descobrindo, a seguir, os metais, o cobre, o ferro, o bronze...

e modificando a estrutura externa do planeta.

Surgiram as trocas de mercadorias com outros grupos humanos, compatibilizando a produtividade com a procura, até quando foram transformadas essas permutas em objetos de valor, raros e preciosos, em moedas...

O pensamento mágico avançou para a conquista de um novo estágio, o egocêntrico, que nele jazia em forma de belicosidade, de ambição desmedida, de reivindicação de direitos, de propriedade, de poder...

Essa fase tormentosa incitou-o ao recrudescer da violência, sempre quando não conseguia obter o que desejava pela persuasão e reavivava-lhe os instintos agressivos, que o tomavam insensato, preparando-o para o avanço no ramo da razão que reflexiona, compreendendo que o mundo a todos pertence e a vida é patrimônio superior, que não pode nem deve ser malbaratada por questiúnculas de significado nulo ou pernicioso.

O pensamento racional, com mais dificuldade passou a dirigir-lhe os atos, a ampliar-lhe o conhecimento, a fazê-lo melhor entender os mecanismos existenciais e as infinitas possibilidades de realização que se lhe encontram à disposição, dando lugar à ciência, à tecnologia, à informática, às comunicações virtuais, às telecomunicações, diminuindo os espaços físicos do planeta, prolongando a existência orgânica e tornando-a menos aflitiva, e propondo a legítima fraternidade que a todos deve unir...

No entanto, ainda está longe do alcance desse objetivo impar, em razão da variedade imensa de biótipos que se encontram em processo de desenvolvimento espiritual e moral.

Enquanto alguns já podem pensar mediante concepções abstratas em torno da vida e dos seus valores éticos, outros homens e mulheres ainda caminham pesadamente na sociedade, vivenciando experiências primárias do seu processo evolutivo, gerando situações conflitivas, exigindo recursos severos e educativos para melhor entrosamento nos diferentes grupos sociais pelos quais transitam.

É certo que, não necessariamente houve uma evolução em períodos adrede fixados, ou em fases limítrofes, ocorrendo, sem dúvida, saltos quânticos na escala da conquista do pensamento, de modo que somente nos últimos dez mil anos, aproximadamente, é que o raciocínio, o discernimento, a consciência passaram a instalar-se no ser humano, ensejando-lhe melhores reflexões em torno da vida.

Compreensivelmente, após o longuíssimo trânsito pelos instintos e reflexos condicionados, o breve tempo em que foi conquistado o pensamento lógico, este ainda não facultou ao homo sapiens superar os automatismos a que se encontra fixado, para melhor agir, ao invés de sempre reagir.

Os seus arquétipos ainda permanecem agressivos e defensivos, a sua conduta é mais do ego do que do Self, impondo-lhe contínuo esforço para domar as más inclinações, conforme acentua com propriedade o nobre Codificador do Espiritismo, Allan Kardec.

A moderna psicologia propõe-lhe essa mesma formulação, mediante a superação dos atavismos perturbadores em benefício das aquisições de bemestar e harmonia, no equilíbrio psicofísico que lhe deve viger em forma de saúde integral.

... E porque a mente não tem limites, o pensamento avança em soberania na conquista da experiência cósmica ou transpessoal, ampliando ao infinito as possibilidades humanas durante a vilegiatura do espírito na Terra.

Certamente, já existem muitos conquistadores do pensamento cósmico, que se têm tornado, através dos milênios, avatares, gurus, mestres, artistas, filósofos, fundadores de religiões, guias da humanidade, santos e apóstolos, mártires da fé e dos ideais, enfim, também todos quantos têm feito das suas existências exemplos de dignificação e de amor, de sabedoria e de beleza, vexilários que são dos futuros dias felizes. (*)


Processo religioso e legislativo

O pavor vivenciado ante as forças brutais da Natureza, inspirou ao homem primitivo a ideia de que a vida mata para poder viver.

Em toda parte ele observava a destruição e o renascimento, embora não soubesse aquilatar ou denominar tais acontecimentos.

Mas o suceder intérmino do binômio movimento e paralisia, ou vida e morte, levou-o à percepção das Forças indomáveis que o agrediam ou beneficiavam-no, sem que as pudesse controlar.

Foi esse o seu primeiro sentimento religioso defluente do medo, nascendo a ideia de matar para estar bem, a fim de poder viver, tendo lugar as primeiras tentativas de holocaustos humanos, grosseiros, a princípio, e sofisticados depois, como maneira de entrar em contato com os fenômenos que ultrapassavam a sua capacidade de administração ou domínio.

Essa ocorrência, porém, além da brutalidade evolutiva do ser humano, resultava do intercâmbio que se iniciava, em forma de inspiração defluente de entidades espirituais ainda grosseiras, que o conduziam no processo de crescimento intelecto-moral, demonstrando-lhe que se acalmavam com o ato hediondo, vampirizando o sangue das vítimas ou comprazendo-se na trágica ocorrência.

Impuseram-se como os primeiros deuses, cujos cultos se apresentavam asselvajados, no mesmo nível daqueles que o praticavam.

Isto porque, no seu estado como espíritos também primitivos, necessitavam dessa energia, para que pudessem continuar como instrumentos dos venerandos cooperadores da evolução terrestre, que os utilizavam em razão de maior afinidade com os compares terrenos.

A Lei, então, era natural - a da sobrevivência do espécime mais forte.

Paleontólogos em estudos avançados, na sua grande maioria acreditam que desde há 60. anos o homem de Neanderthal já apresentava conduta religiosa, certamente primitiva, como pródromo dos aprimorados cultos que surgiríam no futuro...

Lentamente, à medida que se lhe foi desenvolvendo a capacidade de entender a vida, acompanhando os fenômenos do tempo, das circunstâncias do meio ambiente, das lutas encarniçadas que sempre eram travadas, o psiquismo captou as fórmulas mais compatíveis para a submissão e convivência menos agressiva.

Mediante a comunicação oral, continuando mais gestual que verbal, surgiram as formas que, repetidas, se transformariam nos rituais ainda vigentes em diversas religiões, como heranças incontestáveis daqueles períodos da evolução.

A descoberta do fogo tornou-se um avançado passo, no mecanismo da evolução hominal, ensejando punições aos agressores, inimigos do clã ou membros dele, que se não submetiam ao natural domínio do mais brutal.

O medo se expressou como a melhor forma de imposição em relação ao respeito tribal, à divisão da caça, à preservação do clã, à constituição da família.

Os deslocamentos dos grupos, em face das auste-ridades climáticas, exigiam obediência às lideranças, consequentemente, automatizando-se-lhes os hábitos de ordem primitiva, como ensaios de futuras atividades sociais.

O período agrário impôs-se como contingência alimentar, as comunicações fizeram-se mais espontâneas, os silvos e gritos transformaram-se em articulações verbais, dando lugar ao entendimento entre os diferentes membros da comunidade tribal.

Espontaneamente, surgiram os rudimentos da mediunidade em alguns paleantropídeos, tornando-se a interferência dos espíritos mais direta, de forma que o grupo étnico avançou para experiências mais socializadoras e tementes ao Criador...

Enquanto o pensamento desenvolveu-se, também alterou-se a prática religiosa, agora em expressão poli-teísta, refletindo-se na variedade dos seres que amparavam ou que prejudicavam as tribos.

O despertamento para as doenças e disfunções do organismo levou os sensitivos sob a inspiração dos espíritos, à prática ritual de processos favoráveis à saúde, à libertação das influências danosas, ou aos prejuízos contra os seus inimigos, através dos holocaustes animais, superada a fase dos sacrifícios humanos, como pródromo de respeito ao seu semelhante.

Esses intérpretes transformaram-se em shamãs ou feiticeiros, e, temidos, pelos poderes de que davam mostras, passaram a ser os primeiros chefes, confundindo-se os poderes administrativos e religiosos que permaneceríam por muitos milênios nas sociedades terrestres...

O processo cultural se foi sedimentando através das experiências repetitivas, das reminiscências de outras existências, do despertar do psiquismo divino nele ja-cente e foram expressos em forma rudimentar, inicialmente, nas referidas escritas rupestres, em as narrações imaginosas, pré-mágicas, gravando nas memórias as notícias que passaram de uma para outra geração, cada vez mais astuciosa e hábil...

O culto religioso expressou a necessidade de ser-se leal ao clã, obediente ao chefe, colocando a vida à disposição do grupo.

Opensamento racional, vinculado às heranças egocêntricas, facultou o surgimento do castigo relacionado à forma como foi cometido o ato de insubordinação, posteriormente denominado crime, para servir de exemplo aos demais indivíduos - Lei ou pena de talião, também chamada de antiga.

A inevitável evolução do ser humano favoreceu-o com a lenta compreensão dos fundamentos existenciais, também, em razão da chegada, à Terra, de seres de dimensões espirituais fora do Sistema Solar, em expiação moral, portadores, no entanto, de grande desenvolvimento intelectual, que trouxeram informações mais profundas e verdadeiras em torno da vida.

Surgiram as civilizações da antiguidade oriental, os cultos religiosos diferenciados, as leis necessárias, quais o Código de Hamurabi, posteriormente, o Decálogo Mosaico, a romana Lex Duodecimi Tabularum, a Lei de amor, de Jesus...

Nasceu o conceito revelado do Deus Único, de Israel, o Monoteísmo assumiu diferentes formas, nas deidades também da índia governadas por Brahma, no pensamento filosófico e mitológico da Grécia, de Roma, dos diferentes povos, graças aos seusarquétipos e às suas revelações contínuas provindas do mundo espiritual.

A mediunidade tornou-se mais ostensiva e as comunicações mais frequentes, mais lúcidas, fossem aquelas que tinham lugar nos santuários, como aqueloutras que ocorriam naturalmente conforme as circunstâncias, com o objetivo de guiar as criaturas humanas.

Automaticamente, a partir de Jesus, já não se tornaram mais necessários os holocaustes humanos ou animais, embora prevalecessem em muitos povos, primitivos uns, civilizados outros com variações de métodos, para chegar, na atualidade, à conclusão de que o sacrifício mais agradável a Deus éoda transformação moral do indivíduo.

As religiões multiplicaram-se de acordo com as necessidades dos grupos sociais, as faixas predominantes de pensamento, os estágios antropológicos, ainda existindo algumas de expressões primitivas e outras metafísicas, ensejando a visão cósmica da Divindade e dos Seus atributos.

É compreensível o viger no Self de todas essas heranças ancestrais, apresentando os biótipos humanos em condutas variadas, nas suas complexidades múltiplas, vivenciando experiências transatas de que não se libertaram, conflitos profundos ou superficiais remanescentes dos períodos pelos quais transitaram.

Nos arquivos do inconsciente coletivo encontram-se registradas todas essas experiências da evolução, mas cada indivíduo preserva as próprias memórias no seu inconsciente individual, avançando, sem dúvida, com as bengalas psicológicas de que necessita, sem as quais mais difícil se lhe tornaria o processo de autoconsciência.

À medida que ressumam os conflitos decorrentes de vivências doentias, que se manifestam como tormentos destrutivos, de sua existência ou da de outrem, as ocorrências do barbarismo não superadas retornam, necessitando de racionalização, de enfrentamento lógico ou de psicoterapia apropriada para a libertação, avançando no rumo de conquistas mais compatíveis com o nível de civilização contemporânea.

As leis tornaram-se mais equânimes, embora ainda predominem as injustiças sociais, a dominação do mais forte, como indivíduo ou como nação, a intimidação através dos poderes econômico, político ou bélico, como heranças infelizes de que a sociedade não se pôde liberar, o ser humano respira clima emocional de melhor segurança.


Como é muito lenta a evolução da inteligência e a conquista dos valores éticomorais, o egoísmo continua propelindo às conquistas da ciência e da tecnologia, que sem respeito à vida ameaçam-na de extinção, pelo abuso de alguns povos, mediante a poluição da atmosfera - através de gases venenosos e metais pesados

—dos mares, dos rios, dos lagos, da destruição das florestas e de muitas vidas vegetais e animais, pela agressão ao seu meio ambiente.

Indubitavelmente, esse efeito é fruto amargo da poluição mental e do atraso moral do ser humano, que ainda não atingiu o nível do pensamento cósmico, demorando-se no racional-egocêntrico.

Como efeito lamentável, o medo volta a perturbar o ser humano, a ansiedade, a solidão tomam-no por inteiro e os conflitos fazem-se epidêmicos, levando-o às fugas espetaculares na depressão, na esquizofrenia, no distúrbio do pânico, ou ao consumo exagerado do álcool, do tabaco, das drogas aditivas e mesmo dos medicamentos psicotrópicos, alguns dos quais mal-aplicados, resultando em efeitos não menos danosos do que as doenças e transtornos que deveríam recuperar...

Aumentam os suicídios diretos e os indiretos, bem como a agressividade que desborda em violência urbana, filha espúria de outras violências ocultas ou veladas socialmente, que são também responsáveis pela miséria social, econômica, educacional, da saúde, do repouso, da alimentação...

Vicejam, paralelamente, algumas doutrinas religiosas ainda vinculadas ao fanatismo, à discriminação de raças, contra a mulher, contra as demais crenças que não sejam as exaradas pelos seus líderes.

Ninguém pode deter o amanhecer, estabelece velho brocardo oriental.

Da mesma forma, o progresso não pode ser detido, porque os seres humanos, que, às vezes, o postergam, passam, retornando ao proscênio da matéria, a fim de crescerem emocional e espiritualmente, iluminando-se e iluminando o mundo que lhes serve de colo de mãe e de escola para a aquisição da sabedoria...


Encontro com a plenitude

O lento e seguro processo de desenvolvimento do Self, adquirindo as inestimáveis conquistas do pensamento e ampliando-lhe o campo das emoções, faculta-lhe a aquisição do nível cósmico, diluindo as exigências do ego, de forma que se lhe integra nos objetivos essenciais e inevitáveis para a autorealização em plenitude como ser humano.

Desde o homem de Cro-Magnon ao biótipo sapiens-sapiens todo o crescimento de valores psicológicos vem-lhe ocorrendo mediante experiências repetitivas, nas quais o erro e o acerto têm definido o caminho a ser trilhado com sabedoria, sem o impositivo do sofrimento.

Essa grandiosa marcha de sublimação opera-se no espírito, que desabrocha todo o divino potencial de que se encontra possuidor, avançando no rumo da cosmovisão, numinoso e feliz.

Os conflitos naturais que foram herdados em decorrência de anteriores comportamentos, nessa fase, encontram-se solucionados no seu próprio campo, mediante os impulsos do arquétipo primordial que os propeliram à visão global da humanidade como um todo, no qual a célula individual executa um papel fundamental, harmonizando-se com todas as outras que constituem o conjunto.

Nada obstante, até ser alcançado o estágio transpes-soal, muitos resíduos desses experimentos evolutivos permanecem nos períodos diversos do pensamento, assinalando a criatura com as marcas aflitivas, que se apresentam como transtornos de conduta emocional, perturbações psíquicas sutis ou profundas, complexos e repressões de vária ordem...

O fato de atingir-se o pensamento superior, não implica, de início, a ausência de dificuldades existenciais que são detectadas, especialmente em razão do entendimento dos significados da vida apresentarem-se mais amplos e expressivos, sem os limites estabelecidos pelo ego antes dominador.

Uma análise cuidadosa, porém, da individualidade, auxilia a reestruturação da psique, facultando o esforço para a libertação das dificuldades, das fugas psicológicas, da culpa, do medo, da ansiedade, da solidão, identificando o profundo bem-estar que se deriva da alegria de viver de maneira saudável e jovial, sem tormento nem aflição.

O pensamento harmônico propicia, então, o equilíbrio psicofísico, em face das infinitas possibilidades de que dispõe a mente, especialmente no que se refere ao dualismo saúde-doença, trabalhando pela conquista possível da plenitude, mesmo durante a jornada carnal.

Certamente que essa conquista não se trata de uma auto-realização que conduz ao egoísmo, a uma indiferença pelo que se passa em volta.

Antes, significa uma conscientização das próprias responsabilidades diante da vida em favor do Si e da sociedade, sem o que, a cos-movisão ainda se apresenta limitada, necessitando de amplitude e de realização.

Sem qualquer dúvida, o ser psicológico é também biossocial, devendo promover o grupo no qual se encontra, e vivenciando os efeitos desse meio, num saudável intercâmbio de vivências emocionais, culturais, profissionais, tecnológicas, religiosas...

Transforma-se, então, num dinâmico agente da evolução geral, tomando-se em exemplo de vitória sobre as vicissitudes durante o curso de suas grandiosas realizações, sem amarras com o passado de onde procede nem angústias em relação ao futuro para onde se dirige.

O seu é o tempo atual, rico de possibilidades de auto-iluminação e não o linear, em face da amplitude de entendimento da vida e das suas inestimáveis contribuições.

O ontem converteu-se-lhe em hoje e o amanhã estagia num incessante momento atual de compreensão do papel que lhe cabe desempenhar a benefício pessoal e social.

A conquista do pensamento cósmico apresenta-se, portanto, sob vários aspectos, sem limite nem fixação unívoca, ampliando-se pelas diversas áreas do conhecimento artístico, cultural, filosófico, religioso, científico, moral...

por serem facetas da mesma realidade eterna.

Ludwig Van Beethoven, nada obstante surdo, atingiu o pensamento cósmico no momento da composição da Nona Sinfonia, o mesmo acontecendo a Handel, ao escrever o Aleluia, no extraordinário Messias.

Não somente eles, porém, mas toda uma extensa galeria de homens e de mulheres que alcançaram o pensamento cósmico, logrando a plenitude e prosseguindo no trabalho ininterrupto, sem deixar-se dominar pelo estado pleno, diminuindo o esforço de edificação dos ideais, antes, pelo contrário, mais afadigando-se por alcançar patamar ainda mais grandioso na escala da evolução.

No caso em tópico, não desapareceram muitos dos conflitos existenciais que os tipificavam, em razão dos impositivos castradores da época em que viveram, dos atavismos ancestrais, das frustrações sexuais e afetivas que, de alguma forma impeliram-nos para os ideais que abraçaram como caminho de libertação, como processo psicoterapêutico salvador.

Não fossem esses os seus compromissos iluminativos e ter-se-iam alienado, mergulhando em transtornos de grave porte.

Muitos deles, conquistadores do infinito, apresentaram-se algo estranhos ao conceito convencional, por vivenciarem experiências pertinentes ao pensamento cósmico, embora sem libertação dos níveis anteriores.

Da mesma forma como um estágio do pensamento depende daquele que foi vencido, nem sempre dele liberado, o vislumbrar do cósmico pode apresentar-se com tintas próprias decorrentes das fixações ainda não diluídas e pertinentes ao curso de crescimento.

O pensamento cósmico é, sem dúvida, o mais alto nível a ser conquistado pelo ser humano enquanto na roupagem física, no entanto, outros mais significativos existem fora dos limites do corpo, aguardando o infinito.

Krishna, Buda, Akenaton, Sócrates, Paulo de Tarso, Agostinho de Hipona, Descartes, Allan Kardec, entre outros muitos vitoriosos são exemplos grandiosos da conquista da plenitude, da cosmovisão, em cujo período de realização, e logo após, abriram os braços à posteridade num grande convite para a integração de todos os indivíduos na família universal.

Jesus Cristo, porém, guia e modelo da humanidade, é o exemplo máximo da harmonia e da cosmo-re-alização, de tal modo que, superando todo e qualquer impulso egóico, doou-se em regime de totalidade ao amor, para que todos aqueles que O desejassem seguir, experimentassem vida em abundância.

É muito confortador poder-se perceber que a superação dos instintos, graças à evolução do pensamento e da razão, constitui fenômeno natural, ao alcance de todos os seres humanos que, após ultrapassadas as fases mais primárias do processo antropológico, aspiram à conquista das metas reservadas à angelitude.

Em uma imagem poética, o Self sai da escuridão no rumo da luz, qual o diamante que se liberta do envoltório grosseiro em que se esconde, a fim de poder refletir na sua face límpida, após a lapidação o brilho das estrelas.

Temas para reflexão: "540 - Os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da natureza operam com conhecimento de causa, usando do livre-arbítrio, ou por efeito de instintivo ou irrefletido impulso? "Uns sim, outros não... Primeiramente, executam.

Mais tarde, quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvolvimento, ordenarão e dirigirão as do mundo moral.

É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo.

Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!"

* "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. " Mateus 15:16.

Utilizamo-nos do estudo realizado pelo Prof.

Dr. Emílio Mira y López, sobre O Pensamento, que tem por base o desenvolvimento intelectual infantil.

Fizemos uma ampliação da respeitável tese, relacionando-a com o processo da evolução humana em reflexões de nossa exclusiva responsabilidade.

Nota da Autora espiritual.




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Mateus 15:16

Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender?

mt 15:16
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Mateus 5:16

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

mt 5:16
Detalhes Capítulo Completo Perícope Completa