Encontro com a Paz e a Saúde

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CAPÍTULO 4

COMPORTAMENTOS CONFLITIVOS

Um dos fatores que se encarregam de produzir conflitos nos relacionamentos em geral e particularmente na área afetiva, é a imaturidade psicológica do indivíduo.

Da vida possuindo apenas conceitos que não são corretos e que não se ajustam ao equilíbrio que deve viger na convivência social, as suas conclusões afastamno da realidade, dando lugar à prepotência no trato com os demais ou à submissão injustificável em relação àquele com quem convive.

Uma breve reflexão em torno dos direitos de que Iodos devem desfrutar, desde que sejam cumpridos os deveres que lhes dizem respeito, demonstrará que não há por que submeter-se a atitudes arbitrárias ou doentias por parte de parceiros comerciais, familiares, afetivos.

A parceria de qualquer natureza é uma conduta na qual os seus membros comprometem-se a cooperar reciprocamente, em favor do interesse comum, respeitando a área de liberdade em que cada qual se encontra.

No caso específico de um relacionamento afetivo, a questão adquire maior significado, em face da constância pela convivência, em que não pode haver qualquer forma de castração, de modo que não sejam geradas animosidades em nenhum deles.

Ninguém nasceu para a submissão injustificável.

E quando isso se dá em um consórcio, aquele que se permite a perda de identidade, a fim de ceder sempre, esconde, na aparente bondade, a covardia moral que o aturde, o medo de perder a convivência com o outro, a insegurança, tornando-se desajustado e infeliz.

Da mesma forma, aquele que se impõe e pretende ser obedecido, não busca uma convivência harmônica nem feliz, antes, atormentado conforme é, descarrega os seus conflitos no outro, de maneira a sentir-se seguro dos valores internos que gostaria de possuir mas não os tem, receando ser descoberto, portanto, desnudado da sua arrogância.

A arrogância é pequenez moral, na qual se com-prazem muitos portadores de distúrbio de conduta, assinalados pelo medo do auto-enfrentamento, que se apoiam na forma externa por desestrutura interior para a auto-realização.

Trata-se de grave conflito que se instala no ego e se faz projetar de maneira temerária, escamoteando-se para melhor conduzir-se ignorado.

Nos casos em tela, podem-se encontrar as psicogêneses desses distúrbios, em condutas doentias mantidas em existência passada, que ressumam como necessidade de segurança pessoal e em fenômenos de educação deficiente na infância, seja resultante de uma mãe castradora ou superprotetora, que imprimiu no inconsciente do educando o receio da autoconsciência, da descoberta dos medos que nele jazem.

Por outro lado, apresenta-se-lhe como um mecanismo de transferência do ressentimento em relação à mãe, que direciona contra aquele com quem convive.

É uma forma inconsciente de matar a figura materna que detesta, desforçando-se do largo período da submissão conflitiva.

Ao invés da noção de respeito pela vida do outro, o orgulho cega-o, induzindo-o a um comportamento soberbo e perverso, no qual experimenta satisfações sádicas tormentosas.

É muito grave o dano emocional de que o indivíduo se tornou vítima, necessitando de psicoterapia cuidadosa, a fim de reconstruir a própria imagem, a personalidade ultrajada, e adquirir consideração em relação às demais pessoas.

Existe, nesse paciente, um expressivo potencial de energia que vem sendo aplicado equivocadamente, gerando desgaste emocional que podería ser orientado com equilíbrio e de maneira saudável, tornando-se elemento »le bemestar e alegria.

De igual modo, a afabilidade com que conquista as demais pessoas, logo passada a primeira emoção, converte-se em verdugo das mesmas, assim que se dá conta do resultado favorável obtido.

E porque a sua é uma companhia desagradável, quando não irritante e agressiva, termina por ficar isolado, vitimado por mórbida distimia.


Machismo

Herança multimilenária insculpida no inconsciente coletivo, o machismo remonta à tradição mosaica a respeito da Criação, quando apresenta a figura antropomór-fica do Criador, na condição de Pai instável, alimentando essa construção arquetípica, na pessoa de Adão, de quem fora retirada uma vértebra para produzir a mulher, mantendo-a como parte do seu corpo, tornando-a submissa em face de pertencer-lhe desde a origem.

Concebida a ideia da sua dependência, tornou-se objeto de uso do ser masculino, que dela sempre se serviu para as múltiplas necessidades sociais, domésticas e reprodutivas, sem qualquer outra consideração, quando não lhe impunha os caprichos conflitivos da personalidade doentia.

Em decorrência, a partir daquele momento, prolongar-se-á, nas diversas religiões do oriente e do ocidente, a condição de inferioridade feminina, quando os seus profetas ou criadores de cultos, todos pertencentes ao sexo masculino, vedaram-lhe o direito a participar das celebrações, chegando mesmo ao absurdo de declarar que ela não possuía alma, num profundo desrespeito ao ser humano que é, tendo-se em vista que, mesmo os animais são portadores dessa essência ou psiquismo em desenvolvimento, transitando, nessa fase, com a denominação de alma.

Relegada a uma posição secundária, quando não discriminada, por haver sido instrumento do pecado, como decorrência da sua inferioridade, passou a ser submetida a exigência cirúrgica, mediante a qual lhe seria (e ainda o é) interdito o prazer no relacionamento sexual, tornando-a apenas um animal reprodutor, sem qualquer direito à gratificação afetiva da comunhão carnal.

Como efeito, inúmeros conflitos de caráter autopu-nitivo, desde esse momento de absurda decisão, tiveram origem na sensibilidade feminina, coarctando-lhe a alegria de viver e de amar.

Obrigada à obediência, sem qualquer direito à eleição da própria felicidade, tornou-se objeto de troca, por pais arbitrários e impiedosos que lhe estabeleciam o destino, considerando-se necessário oferecer-se um dote a quem a desejasse, de forma que se transformasse em mercadoria transferida de um para outro proprietário...

Sistematicamente anatematizada, era empurrada para o adultério, em face da irresponsabilidade do consorte, ou para a prostituição por homens insensíveis que, depois, assumindo atitudes puritanas, exigiam-lhe - e ainda o fazem em diferentes regiões da Terra - a punição, em mecanismos de transferência psicológica da culpa de as haverem arrastado ao dislate...

Mesmo Santo Agostinho, após a sua conversão ao Cristianismo, evitava-as, por serem objeto de pecados, não sendo poupadas por Freud, que as considerava invejosas do homem, em razão da constituição orgânica...

A sistemática indução à inferioridade produziu um profundo conflito na mulher, que passou a subme-ter-se aos caprichos da irresponsabilidade machista, obrigando-a a introjetar os sonhos e ambições naturais, tombando em lamentáveis processos depressivos ou de rebeldia interior, que se convertiam em enfermidades de diagnose difícil.

Negando-lhe a cultura e preparando-a somente para as prendas domésticas e os deveres do lar, não se conseguiu ao largo dos milênios impedir-lhe a expansão da sensibilidade e da inteligência, que extravasavam em espíritos de escol, renascidos na indumentária feminina com a missão de romper a cadeia de ignorância e de preconceitos perversos.

Lentamente, foram impondo pelo exemplo e pelo poder da capacidade de construir, de administrar, de servir, o seu valor moral e humano, demonstrando que a fragilidade que lhe era atribuída, restringia-se somente à força física, em face da sua constituição hormonal e à finalidade superior da maternidade.

Nada obstante, mediante exercícios próprios, também demonstraram as missionárias da modificação de conceitos, a possibilidade de serem atingidos patamares de resistência muscular, nada inferiores aos masculinos...

A decantada e ilusória superioridade masculina, ocultando conflitos complexos, descarregou na fragilidade feminina a brutalidade e a covardia moral, para logo tombar-lhe nos braços, buscando apoio e consolo nos desastres emocionais de que se tornavam servos.

Esparta já houvera demonstrado no passado, a bravura e o patriotismo da mulher, durante as guerras, quando ofereciam seus filhos para a defesa da pátria e seus longos cabelos para que fossem tecidas cordas, e quando enfrentavam aqueles que eram tidos como inimigos.

Nos tempos modernos, o esforço de guerra lhe requisitou a contribuição e revelou-se excelente operária em todos os níveis profissionais, saltando, lentamente, para as posições de comando, como administradora e executiva exitosa, portadora de grande capacidade de liderança e de orientação.

Não obstante, no dia 8 de março de 1857,129 tecelãs de fábricas de Nova Iorque, exaustas pelo excesso da carga horária de trabalho - 16 horas diárias, que pretendiam diminuir para 10 - porque promoveram uma passeata em forma de protesto, os patrões recorreram à polícia que as enxotou em rude perseguição a cavalos, fazendo-as recuar e refugiar-se em uma fábrica.

Como revide à denominada rebelião, o machismo predominante optou por bloquear as saídas do edifício ao qual foi ateado fogo e morreram todas as rebeldes, com a anuência das autoridades governamentais que participavam da mesma torpe conduta cruel e discriminatória.

É claro que, atitudes de tal porte, geraram dramas de consciência, que se transferiram para a geração imediata, não havendo sido expurgado no período em que o crime brutal foi cometido.

Posteriormente, com a ascensão da Era industrial, o chefe e comandante, a fim de projetar a imagem de poder, usava a mulher como objeto de luxo e de ostentação, proibindo-lhe o direito de pensar, que ele a si mesmo se atribuía, sendo ela, porém, a atração que produzia inveja c demonstrava a exuberância da fortuna do consorte.

O sensível dramaturgo íbsen retratou muito bem o conflito machista e a sua imprudência na peça teatral denominada Casa de bonecas, não poupando oportunas críticas aos usuários do bordel, não menos atormentados que as suas serventuárias, sempre às ordens das suas necessidades.

Nesse ínterim, no dia 8 de março de 1910, a ativista alemã Clara Zelkin, na 2 Conferência Internacional das Mulheres, na Dinamarca, elegeu esse como o Dia Internacional da Mulher.

Demonstrando os seus valores, porém, embora lhes fossem negados quaisquer direitos de participação na vida pública e social, as mulheres não desistiram, e, em 1932, na América do Norte, candidataram-se a votar e a serem votadas, abrindo uma brecha no hediondo comportamento machista.


No ano 2000, na marcha Mundial das Mulheres, foram mobilizados 161 países sensibilizados pela necessidade da libertação da mulher, porquanto, hoje, 30%

das mulheres são chefes de família, responsabilizando-se pela manutenção dos seus lares, embora o seu salário seja em média 60% inferior àquele que os homens recebem.

Recuando-se, historicamente, pode-se evocar o pensamento que assinalou uma atitude, exteriorizado pela insigne Cornélia (189 a.C. - 110 a.C.), filha de Cipião, o Velho, e esposa de Tibério Semprônio Graco, viúva, que se tornou célebre, passando à posteridade sob a alcunha de A mãe dos Gracos - Tibério e Caio quando um grupo de patrícias frívolas apresentava as suas joias, exibindo coisas, perguntaram-lhe quais seriam as suas, e ela, abraçando os filhos, respondeu com segurança: - Eis aqui as minhas únicas joias.

Mais tarde, quando os filhos desencarnaram de maneira dolorosa, ela soube preservar a nobreza e recebeu a notícia com resignação incomum, graças ao que os seus coetâneos ergueram-lhe uma estátua, que foi colocada no Pórtico de Metelo, em Roma, com uma dedicatória comovedora: A Cornélia, Mãe dos Gracos.

Ninguém pode obstar a marcha do progresso, impedir a luminosidade do Sol, e o machismo começou a ceder espaço à compreensão dos direitos femininos, quando constatou que a sociedade é formada por ambos os sexos e o futuro, sem qualquer dúvida, alicerçar-se-á, desde hoje, na estrutura emocional, moral e cultural da mulher.

Quando a intolerância governamental da China começou a suprimir as mulheres, eliminando-as cruelmente ao nascerem, não teve em mente a problemática da reprodução humana e da barbaridade cometida contra a vida, imprevidência essa que se repete nos governos arbitrários e nos regimes absolutistas, de pensarem apenas em termos de tempo presente, resultando, na atualidade com a sua falta para a constituição das novas e futuras famílias.

O pensamento em que se apoiavam as forças governamentais cruéis, de assim estarem cuidando de controlar a natalidade, em tentativa de evitar a superpopulação que, afinal, tornou-se realidade, havendo outros métodos recomendáveis ao planejamento familiar sem crime, deixou à margem as necessidades orgânicas do cidadão masculino, que ora disputa com avidez a companhia feminina...

Somando-se aos demais fatores de ansiedade que se deriva do competitivismo, da insegurança pessoal e coletiva, das buscas pela realização social, econômica e emocional, essa herança criminosa torna-se fator de desequilíbrio, porque o cidadão de agora, renascido na roupagem masculina, é o mesmo que, ontem, desqualificou, perseguiu, esmagou os sentimentos femininos, sacrificando-os ao seu talante, embora sem dispensar a sua companhia e os seus nobres serviços...

Ainda perdurarão no psiquismo feminino as marcas da rejeição, da punição, do desprezo, que as novas conquistas irão eliminando, de forma que, no futuro, o respeito recíproco aos direitos de ambos os sexos seja a tônica da conduta psicológica e social da humanidade.


Feminismo

A ânsia de liberdade encontra-se ínsita no ser humano, por constituir-se uma das leis da vida.

O espírito é livre, sopra onde quer, conforme acentuou Jesus, no Seu diálogo com Nicodemos, o célebre doutor da Lei, não podendo alcançar a meta da evolução a que está destinado, se se encontra sob coarctação de qualquer natureza.

A Lei de liberdade de pensamento, de palavra e de ação, é conferida ao ser humano que, da maneira como a utilize, será responsabilizado pela própria consciência que reflete o Divino Pensamento.

Como é natural, o anseio da busca dos mesmos direitos que ao homem sempre foram concedidos, ou pelo menos da sua equiparação sempre repontou através da História, quando algumas mulheres impossibilitadas de lograr o triunfo anelado, conseguiram-no através da maternidade, da beleza, da sedução sexual, da astúcia, da inteligência, da santidade, como ocorreu com Dalila, Judite, a rainha de Sabá, Cleópatra, Maria de Nazaré, Teodósia, Teodora, santa Teresa dÁvila e as pioneiras nas ciências, na filosofia, nas artes, nas religiões...

Elas e muitas outras abriram o espaço para o respeito de que são credoras todas as mulheres, encontrando maior ressonância, em face do desenvolvimento cultural do século passado, no movimento denominado Feminismo.

A ideia feliz, iniciada por verdadeiras heroínas, que foram imoladas umas, outras execradas e perseguidas, encontrou vultos de alta magnitude, que reuniram a inteligência ao sentimento demonstrando que a fragilidade orgânica, de forma alguma tem a ver com a ausência de valores administrativos, de conhecimentos gerais, de especificidade tecnológica...

Missionárias, que lutaram contra a intolerância, destacaram-se em diversos períodos históricos afirmando que a biologia não é fatalidade na definição da capacidade mental e cultural, quebrando as primeiras cadeias da intolerância.

Por fim, na segunda metade do século passado, quando da superação de muitos dos preconceitos ancestrais em várias áreas do comportamento humano, o que sempre gerou dificuldades nos relacionamentos e graves conflitos psicológicos, ergueu-se a bandeira dos direitos da mulher, abruptamente, enfrentando as antiquadas discriminações, torpes no seu conteúdo e cruéis na sua aplicação, exigindo leis e oportunidades justas para todos os cidadãos.

Como é compreensível, a rebelião sexual foi o estopim que produziu o grande impacto social, em relação às mulheres insatisfeitas e infelizes, graças aos impositivos da ignorância e da perversidade, após os relatórios Hitt, demonstrando quanto a mulher era objeto do erotismo, das aberrações masculinas, desrespeitada nos seus sentimentos, sem o menor direito às sensações da afetividade e do conúbio físico, ao mesmo tempo desvelando os inúmeros conflitos masculinos disfarçados no machismo vergonhoso.

Espíritos em processo de crescimento, ambos os sexos experimentam equivalentes dificuldades e tormentos na maneira de expressar-se, como decorrência das experiências transatas, infelizes umas, perturbadoras outras, malsucedidas muitas...

A represa das emoções começou a romper-se e personagens atormentadas, utilizando-se da oportunidade, passaram a comandar o novo Movimento, sem dar-se conta da intolerância e do ressentimento malcontido, desafiando os cânones ancestrais e os conceitos de então, desbordando em exagerados comportamentos, que nada têm a ver com a dignidade, o equilíbrio e os direitos femininos.

Logo surgiram as oportunistas, que carregavam transtornos vários, perturbações emocionais necessitadas de terapia especializada, para exigir novas regras, algumas aberrantes, de maneira a impor-se, numa aparente vitória contra a correnteza.

Lentamente, como sempre ocorre, do exagero surgiram os reais propósitos de valorização da mulher, abrindo-se-lhe portas de acesso a trabalhos e atividades antes reservados somente aos homens, nos quais foram demonstrados os valores e as habilidades elevados do sexo feminimo, competindo em qualidade com o masculino.

Certamente ainda se vivência um período de afirmação, no qual a contribuição psicológica por intermédio de terapias especializadas e de valorização dos sentimentos antes desconsiderados, em detrimento dos absurdos contributos da força e da imposição machista, torna-se indispensável.

Como prejuízos iniciais, em um movimento de tal significado, no qual são necessárias as adaptações psicológicas, em face dos traumas de curso demorado através dos tempos, houve a irrupção da liberdade que se vem fazendo libertina, com olvido dos reais compromissos, substituídos pelos vícios masculinos, que a mulher parecia invejar.

O tabagismo, o alcoolismo, hoje em expressão mais volumosa, em alguns países, entre as mulheres, o sexo licencioso e vulgar, dando surgimento a novos conflitos desgastantes e perturbadores que decorrem do prazer sem emoção, do gozo sem amor, do tédio, após a vivência do anelado que não preenche o vazio existencial.

A depressão, a síndrome do pânico e outros conflitos substituem os anteriores da timidez, do medo, da discriminação, a estes, muitas vezes, somando, demonstrando que algo não está funcionando como seria de desejar.

Ocorre que a mulher é essencialmente mãe, em face da sua constituição biológica e psicológica, forte e frágil na estrutura emocional, vigorosa e meiga por imposição evolutiva, não se devendo furtar ao ministério da procriação.

A necessidade, porém, de auto-afirmação, de autoconfiança, de demonstração da personalidade, numa espécie de desforço que dormia no inconsciente, tem levado muitas mulheres a opor-se terminantemente à maternidade, justificando a necessidade de triunfar no trabalho, na profissão, no mundo dos negócios, como se uma opção eliminasse ou impedisse a outra...

Por outro lado, desejando a maternidade, delega a outros a função educativa dos filhos, fugindo à responsabilidade do lar, ao qual retorna cansada, ansiosa, quando não estressada ou amargurada...

Todo exagero sempre gera consequências lamentáveis, e, no caso em tela, a negação da maternidade, como a maternidade irresponsável respondem por danos emocionais e sociais cujos efeitos, a pouco e pouco, vêm sendo apresentados na sociedade, em forma de droga-dição juvenil, criminalidade entre jovens, violência e abuso de toda ordem, orfandade de pais vivos...

Os homens, pelo mau hábito de considerar a sua suposta superioridade, sempre delegaram à mulher o provimento moral da família, a sustentação emocional do lar e dos filhos, ficando ao largo das responsabilidades dessa natureza.

Muitas vezes, igualmente, fecundou a mulher e abandonou-a, empurrando-a para a prostituição ou o desespero, olvidando-se totalmente da família...

Como efeito psicológico do ressentimento feminino malcontido por séculos sucessivos, adveio a reação, mediante a qual a mulher, procurando evadir-se da responsabilidade maternal, ou não desejando filhos, que sempre se apresentam comoobstáculos ou impedimento à sua ascensão no mundo das disputas financeiras e sociais, sente-se liberada do compromisso.

Essa interpretação equivocada e infeliz, defluente do feminismo exagerado, tem produzido danos emocionais muito graves nos sentimentos da mulher, frustrando-a e deixando-a em solidão destrutiva.

Cabe seja revista a situação do feminismo de revide, porque a organização genésica da mulher estruturalmente não está capacitada para as experiências múltiplas do sexo sem amor, sem responsabilidade, conforme sempre foi imposta àquelas que têm sido empurradas para os prostíbulos e as casas de perversão e de indignidade humana, como escravas das paixões asselvajadas de psicopatas aturdidos sedentos de gozo animalizado...

O direito à liberdade de ação, de deliberação e escolha no lar e na sociedade é conquista que a mulher adquiriu e que não pode ser confundida com arrogância nem procedimentos de confrontos, nos quais os conflitos interiores predominam em fugas inúteis que surgem como soluções apressadas, e que não resolvem o grave problema dos relacionamentos humanos, sejam nas parcerias afetivas ou noutras quaisquer.


Direitos igualitários

Em nosso conceito pessoal, o Self abrange todos os demais arquétipos ou é o responsável pela sua existência, especialmente harmonizando a anima e o animus, cujos conteúdos constituem-lhe a síntese perfeita no que diz respeito às manifestações sexuais do ser, armazenando as experiências vividas anteriormente, ora em uma organização biológica ora em outra.

Durante o largo processo da evolução antropológica, adquiriu uma e outra experiência, incorporando-as com as suas características essenciais, estruturando a individualidade pela qual se expressa.


Predominando as heranças primárias - em face do larguíssimo tempo em que transitou nessas experiências - aquelas que melhor contribuíram para os mecanismos

< Io aprimoramento intelecto-moral da atualidade, vêm ressumando através das reencamações como impositivos de vigência da força para a sobrevivência dos mais bem equipados, em detrimento das aquisições emocionais que oferecem valores éticos para a continuidade da existência física...

Como efeito inevitável, os fenômenos hormonais destacaram o animus com mais vigor, propiciando a falsa conceituação machista de domínio e de poder.

Nada obstante, as experiências da anima produziram sentimentos de nobreza e de renúncia, de docilidade e de abnegação, que hoje, diante das conquistas do saudável feminismo, propiciam a compreensão dos direitos da mulher equipada de requisitos elevados que lhe facultam a plenitude pessoal e a edificação de uma sociedade justa.

Sendo o Self na sua estrutura psicológica assexuado, avança na escalada humana em busca da individuação, assimilando os méritos transcendentes do animus e da anima, de modo a superar os impositivos biológicos da anatomia fisiológica, resultando em harmonia psicológica e de comportamento emocional.

Quando as experiências repetem-se, contínuas, em um arquétipo - animus - por exemplo, as características orgânicas a par das imposições sociais e culturais predispõem-no ao machismo arbitrário.

Quando ocorre a prevalência da anima, inevitavelmente a docilidade e a submissão sobressaem no comportamento, dando lugar à aceitação das cargas arbitrárias de injustiça e até de crueldade.

Quando ocorre, porém, a mudança abrupta de uma variante - animus repetitivo e anima de repente ou vice-versa - a anatomia pode ser totalmente inversa à psicologia, dando lugar a um indivíduo em conflito quanto à sua sexualidade, não raro, experimentando transtornos íntimos, insegurança emocional e medo de assumir o impositivo psicológico diferente do fisiológico.

A educação moral, no entanto, ao lado de um saudável programa social contribui para o equilíbrio comportamental, destituído das descabidas exigências dos hórridos preconceitos ou das licenças morais extravagantes que conduzem à promiscuidade.

A igualdade dos direitos para ambos os sexos significa progresso moral e social da humanidade que, lentamente deixa as condutas primitivas para ascender na escala do progresso, superando a pouco e pouco as fortes impressões do barbarismo e facultando-se a legítima organização de uma sociedade harmônica e digna.

Eis por que, no trânsito da conduta ancestral, perversa e primitiva, na qual predominavam as vigorosas regras do machismo doentio, não há lugar para comportamentos feministas que pretendam diminuir o homem e tomar-lhe os hábitos insalubres, como significado de libertação da mulher.

A questão é mais profunda quando examinada psicologicamente, levando-se em consideração o bem-estar e a saúde integral do homem, assim como da mulher.

É de primordial importância uma análise de conteúdos emocionais que faculte a identificação das condutas humanas, mediante as quais cada um possa conseguir identificar-se com a sua realidade pessoal - o Si profundo - com o ego, contribuindo em favor de uma nova sociedade equilibrada e feliz.

Numa inversão de valores, na luta existente entre homens e mulheres, a imposição pela liberdade sexual feminina, numa demonstração doentia de prazeres orgânicos com prejuízo para as emoções, em tentativas de superar os velhos chavões deobjetos, valiosas unicamente pelas concessões morais que se permitem, nada obstante permanecem na mesma situação deplorável de coisas descartáveis que se usam e se abandonam sem qualquer respeito ou consideração.

Expondo-se exageradamente, fomentando o comércio vil do sexo sem significado, em profissionalização e banalização dos sentimentos, a mulher atira-se no abismo modista, gastando juventude e saúde, a fim de manter-se nos absurdos padrões de beleza estereotipada, marchando inexoravelmente para enfermidades e transtornos psicológicos imediatos e mediatos, na solidão, no esquecimento ou atirada ao ridículo, ao vexame, quando já nada mais tem a oferecer...

Poder-se-á, porém, aguardar um dia, no qual homens e mulheres, perfeitamente integrados nas suas funções - emocionais, sociais, fisiológicas e mentais - se harmonizarão sem hostilidades reais ou disfarçadas, sem bengalas psicológicas de superioridade ou conflitos de inferioridade?

Sem qualquer dúvida, porque esta é a fatalidade da lei de progresso da vida.

Trabalhando-se pela conquista da individuação de cada ser, o processo de evolução se encarregará de unir as criaturas em perfeita identificação de propósitos e de objetivos morais, dando lugar a uma geração nova, conforme anelada por todos.

Superando-se, a pouco e pouco, os conceitos arcaicos machistas e os modernos e revolucionários feministas, homens e mulheres integrados na consciência dos deveres pessoais, caminharão juntos, respeitando-se mutuamente e ajudando-se uns aos outros, fomentando o bem-estar pessoal e geral, sem amarras com o passado, nem tormentos em relação ao futuro.

Temas para reflexão: "817- São iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?


Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?"
* * *

"E aquele dentre vós que estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra. " (João 8:7)




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João 8:7

E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

jo 8:7
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