Estudos Espíritas

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CAPÍTULO 15

ESPERANÇA

CONCEITO - Irmã gémea da Fé, a Esperança, também catalogada como uma das três virtudes teologais, é a faculdade que infunde coragem e impele à conquista do bem.

Quando as circunstâncias conspiram contra realizações superiores, perturbando e afligindo, a Esperança revigora o entusiasmo e insufla o necessário ânimo para o prosseguimento até o fim. Em Deus haure a força de que se reveste, a fim de vitalizar os postulados em que se firma.

Aos seus auspícios, a calamidade se modifica e sobre os destroços levanta o progresso; o solo crestado, sob sua assistência cordial, perseverante, se converte em jardim e pomar; a enfermidade, ante sua assessoria, propicia eupatia leníficadora, ensejando a saúde; a derrota excruciante, em face da sua constância, ressurge como triunfo, transformando os falsos valores do despotismo e da violência, legados terrenos de efémera qualidade, em alegrias espirituais insubstituíveis.


A Esperança constitui o plenilúnio dos que sofrem a noite do abandono e da miséria, conseguindo que lobriguem o porvir ditoso, não obstante os intrincados obstáculos do presente. É o cicio caricioso na enxerga da enfermidade e a voz socorrista aos ouvidos da viuvez e da orfandade, consolo junto ao espírito combalido dos que jazem no olvido, exortando: "Bom ânimo e coragem! Olhos vigilantes, ouvidos atentos e braços vigorosos acompanham vossas aflições, vêem e ouvem vossos penares, distendendo recursos na vossa direção. Não vos entregueis à revolta ou à desolação: esperai!"

Amparo dos fracos, é a Esperança a força dos fortes e a resistência dos heróis.

Quando falecem os recursos humanos, sempre deficitários, à semelhança de anjo, acerca-se, envolvente, e levanta os que tombaram, ajudando-os a reencetar a jornada e avançar. Ânimo dos vencidos, converte o galé em estoico lutador e são as suas inspirações que, através da pena, transmuda a vitória do canhão em derrota sob a palavra que exorta à liberdade e à honra.

No singelo berço, em Belém, lucilou com astros de alegrias uma Excelsa Família, e na Cruz, erguida no Gólgota, recolheu o porejar de sangue que orvalhava a sublime face do Justo.

CONSIDERAÇÕES - Dois adversários se antepõem à Esperança: a presunção, que faz que o homem, petulante, confie nas próprias possibilidades, sem contar com o auxílio divino, ensoberbecendo-se; e o desespero, que conduz à dúvida em torno da misericórdia excelsa de Deus, em relação aos filhos.

A Esperança, como de fácil entendimento, pressupõe a Fé, sem cujo arrimo fenece; e, mediante a contribuição desta confia na Revelação de que se fez portador Jesus Cristo.

Através das forças que infunde, o homem de Deus, espera em confiança a paz na Terra, em decorrência da conduta reta e do trabalho profícuo, e depois da desencarnação as alegrias refazentes e perenes, resultantes das promessas cristãs.

Sendo o sofrimento uma natural consequência da leviandade ou do desequilíbrio moral a que o homem se permite, na esteira das reencarnações, a Esperança constitui-lhe o estímulo para o soerguimento pessoal ante as leis de harmonia, representativas das Divinas Leis.

De vital importância no exercício da Caridade, a Esperança ensina a confiar nos resultados posteriores da ação relevante, embora as aparentes condições adversas.

Quando o santo oferece a vida à comunidade, o apóstolo à abnegação, o artista à beleza, o cientista à pesquisa e o trabalhador à ação, arrimam-se todos à Esperança na expectativa dos resultados felizes.

Dirimindo suspeitas e assegurando tranquilidade, a Esperança, humilde e imperturbável, é semelhante à bússola para os nautas e guia experiente para as caravanas.

Aponta rumos de felicidade e não se detém no pórtico das realizações: adentra-se na ação infatigável e, estuante, alcança o êxito que persegue.

CONCLUSÃO - Enquanto estrugem alucinações e o aliciamento à desordem irrompe assustador, adicionando aflições dormidas a sofrimentos nascentes, fazendo crer na falência dos títulos de dignificação humana, como se os louros da honra fenecessem subitamente, num retrocesso ético lamentável, a Esperança luariza os espíritos e os conclama à paz, ao amor, ao dever.

Sua melodia encontra na voz dos imortais a ressonância edificante que fala do futuro espiritual, após as múltiplas vicissitudes na organização somática, entoando hinos de exaltação à resistência contra o mal e à perseverança no bem.

Dileta filha do amor aponta o exemplo de Jesus como a suprema dádiva, que o homem deve aspirar para conseguir uma vida perfeita.

"Ao justo, nenhum temor inspira a morte, porque, com a fé, tem ele a certeza do futuro. A esperança fá-lo contar com uma vida melhor; e a caridade, a cuja lei obedece, lhe dá a segurança de que, no mundo para onde terá de ir, nenhum ser encontrará cujo olhar lhe seja de temer. " 941.) (O Livro doa Espíritos, Allan Kardec, questã "A esperança e a caridade são corolários da f é e formam com esta uma trindade inseparável. Não é a f é que faculta a esperança na realização das promessas do Senhor?


Se não tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que dá o amor ? Se não tendes fé, qual será o vosso reconhecimento e, portanto, o vosso amor?" (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XIX, item 11.)


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