Colheita do Bem

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Capítulo XLIX

Um filho, um neto são sempre vergônteas queridas


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19/07/1950


Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-nos muita paz, saúde e alegria.

Sinto-me satisfeito pela oportunidade de ainda nos reunirmos com o nosso caro Roberto na presente semana, pois desejávamos, de nossa parte, reafirmar-lhe os ardentes votos de triunfo neste ano, dentro do porfiado combate estudantil dos tempos últimos. Graças a Deus, vemo-lo fortalecido e robusto à maneira de um trabalhador diplomado na teoria, habilitado a enfrentar a experiência na grande floresta humana.

da árvore sadia de nossos melhores sentimentos e vê-los crescer no conhecimento e na prática do bem, entendendo as noções do direito e dever, liberdade e responsabilidade é, sem dúvida, alegria das maiores que somos suscetíveis de desfrutar! Não sei como dizer-lhes do meu contentamento em observar o Roberto homem feito, apto e compreensivo, em plena madureza de planos abençoados à frente do porvir. Jesus o fortaleça e guie. Excelentes orientadores não lhe faltam. Proteção e amizade não se fazem escassas em derredor de seu coração e recursos mil lhe enriquecem o caminho para a sustentação própria, na vanguarda de nossos melhores ideais.

Partilho, meu caro Rômulo, as suas considerações afetivas no conflito espiritual de ontem, quando os seus pensamentos buscaram os meus. Pouco a pouco, vamos admitindo os imperativos da viagem. A existência é realmente parecida a grande excursão por mar, a fim de alcançarmos novos portos. Enquanto preparamos a romagem, achamo-nos sempre em companhia de muita gente. Há ruído, alegria fácil e camaradagem festiva, entretanto, se o viajante delibera embarcar, em verdade penetra o navio tão somente em comunhão com aqueles que adquiriram passaporte e passagem. E quando o transatlântico se afasta da praia segura cresce a noção de responsabilidade e de grandeza da vida. Em alguns, semelhante noção é temor, ao passo que em outros é renovação e engrandecimento de propósitos. Quem permanece na praia, contudo, algema-se ao ruído, à alegria fácil e à camaradagem festiva, nos quais elege o seu clima de satisfação favorita.

Na realidade, meu filho, não há mais compreensão aceitável por parte da maioria daqueles que nos integra o grupo familiar. A distância, agora, é regularmente grande no setor do autodescobrimento. Impraticável a comunhão nos moldes desejáveis. Se eu, por exemplo, me expressasse no círculo dos nossos, qual o faço aqui, sem inibições afetivas e sem impedimentos sentimentais, apenas despertaria em muitos dos corações que se ligam aos nossos desencanto, medo e, talvez, revolta deplorável. Assim como em sua administração você não admite o noviço com os mesmos recursos conferidos ao mais experiente, assim também prevalece o impositivo do tempo e do esforço nas aquisições espirituais. Tudo varia segundo a nossa capacidade e trabalho, que constroem dentro de nós e fora de nós os valores do merecimento. Não se agaste por seguir sozinho no setor “nosso lado”. Somente não andaríamos, assim, sem a companhia deles, se, igualmente, “ficássemos” na praia. Não suportamos, porém, a estagnação e o isolamento se fez imperioso e inevitável. O melhor remédio, portanto, é o entendimento.

A natureza, em si, é pródiga de ensinamentos. Quantos animais úteis oferecem inutilidades que lhes não convêm? Quantas árvores deveriam mostrar linhas mais nobres? Entretanto, no fundo, são portadores de benefícios na posição em que se colocam. A grande compaixão do Cristo é lição para cada hora e só essa compaixão nos ajuda a silenciar, preservando os nossos próprios recursos. Com essas palavras, não desejo dizer que desaprovo as suas atitudes, amigas e paternais, de companheiro e de educador, devotado ao serviço incessante. Creio mesmo que renunciar a esse traço de suas características pessoais seria erro grave, porque tudo é concedido a nós todos para o bem na economia da vida. Desejo, apenas, salientar que no caso dos “viajores retardados” muitas vezes mais vale silenciar a benefício de nossa paz, alegria, bem-estar e saúde. Não convém dar o coração à “circunstância de tortura”, porque há muita gente que estima a dilaceração do companheiro ou do próximo para depois chorar a perda de abençoadas oportunidades de entender, agir, cooperar e aprender. O meu humilde lembrete é somente de defesa nossa. O “não vale a pena” é um específico de grande importância em muitas situações difíceis. Compadeçamo-nos e olvidemos.

A piedade nos defende da entrosagem fluídica com elementos destrutivos ou perturbadores e o esquecimento nos renova a energia para a ação. É imprescindível confiar ao tempo certos problemas, tanto quanto é necessário dar ao calor do forno o vaso de barro cru. Quem resistirá à lição dos anos? Quem? Que eu saiba, ainda não vi coração que as horas não modificassem. Por vezes, a rebelião e a angústia parecem endurecer as fibras mais preciosas da alma ou apagar as mais belas notas da afetividade e do carinho, mas não acreditemos em impassibilidade ou indiferença invariáveis. Um dia, tudo volta à superfície e mais vale guardar o remédio para o momento culminante da ferida que aprofundá-la mais no desejo de tudo solucionarmos de pronto. A vida está aí à nossa frente e os dias são grandes mestres. Colhemos somente os frutos da espécie que semeamos. Sirva-nos, portanto, de consolo a convicção de que se nos não tem sido possível a distribuição de fortunas amoedadas, ninguém poderá negar a nossa contribuição da boa vontade. Espraie a sua confiança mais longe. Partamos para a frente toda a vez que um associado de destino e de luta se converta para nós em fantasma da retaguarda. A estrada eterna guarda ensinamentos especiais para todos. E em toda parte a família humana espera seus componentes dignos, suspirando pelo engrandecimento daqueles que se fazem mais produtivos, enobrecidos e operosos.

Tudo está bem. Felizmente, a Bondade Divina tem brilhado sobre todo o nosso roteiro e as oportunidades de aprender e fazer progredir e ajudar vibram para alegria nossa, em nossas mãos.

Registro, com sincero prazer, as melhoras da saúde de nossa querida Maria. Meu contentamento é grande e espero prossigam ambos cada vez mais fortes e satisfeitos no caminho eleito para a vitória comum aos dois.

Por hoje, penso bastarem tantas linhas sobre o papel. Creiam que se conduzem e se fazem visíveis sob a vibração dos meus melhores pensamentos de carinho, amor, confiança e gratidão.

Deus nos abençoe e nos fortaleça a todos, e recebam grande e afetuoso abraço do papai e vovô que não os esquece,




A. .Joviano
Francisco Cândido Xavier


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