Capítulo XI

Culpa, caridade e livre arbítrio


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A culpa é descida, mas a caridade é soerguimento.

Pelo erro no mal, enreda-se o homem no labirinto da dor.

Pelo esforço no bem, liberta-se para a vitória a que se destina.

Enganando-se nas teias da ilusão em que transita na Terra, arroja-se a alma a fundos despenhadeiros de sombra; todavia, descerrando os próprios olhos à verdade e buscando-a pelo plantio do amor, acende nova luz em si mesma, estruturando novos caminhos.

Subsiste a expiação, enquanto perdura o prejuízo às leis que nos regem e abrem-se vastos horizontes de paz ao Espírito que luta em si mesmo, tão logo se consagre ao trabalho do próprio aperfeiçoamento.

Recordemo-nos de que no estágio evolutivo em que nos achamos ninguém existe sem débitos a resgatar.

Todos temos peregrinado na senda escura do remorso, após haver desencadeado sobre nós mesmos a longa série de causas aflitivas a que, imprevidentes, nos imantamos.

Não passamos, por agora, de almas em reajuste, na oficina das provas, após o desastre de nossas deliberações infelizes.

A culpa, por enquanto, é um fantasma interior que nos persegue em todos os ângulos do mundo, sob as mais variadas formas.

Da defecção diante do Cristo, todos partilhamos em nossas experiências, mas pela caridade bem vivida, que dá de si sem pensar em si, que se sacrifica e ampara, que tudo suporta, entende, auxilia e espera, poderemos lavar o tecido sutil de nossa alma, recuperando-nos as forças para aprendermos a servir sempre. Para isso, porém, é preciso saibamos usar a vontade.

Somos senhores na resolução e escravos nas consequências.

Compreendamo-nos mutuamente, e amemo-nos, mobilizando o nosso livre arbítrio na criação do futuro melhor.

Todos trazemos na intimidade do próprio ser a nossa dor, a nossa aflição, a nossa prova ou o nosso problema…

E estendendo braços fraternos, uns aos outros, perceberemos que só o amor bem dividido pode multiplicar a felicidade.

Não nos detenhamos na culpa. Usemos a caridade recíproca, e, com a liberdade relativa de que dispomos ser-nos-á então possível edificar, com Jesus, o nosso iluminado Amanhã.




Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


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