Mãos Marcadas

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Capítulo IV

Serve e encontrarás


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Examina a natureza que te cerca no mundo.

Tudo é riqueza e esforço laborioso por assegurá-la.

O solo ferido pelo arado é berço prodigioso da produção.

A árvore, mil vezes dilacerada, orgulha-se de sofrer e ajudar sempre mais.

A fonte, superando os montões de seixos, pouco a pouco, alcança o grande rio, a caminho do mar.

Algumas sementes formam a base de preciosa floresta.

Pedras agressivas se convertem nas obras-primas da estatuária, quando não vertem do solo, a faiscante beleza do material de ourivesaria.

Animais humildes, padecendo e ajudando, garantem o conforto das criaturas contra a intempérie ou alimentam-lhes o corpo, sustentando-lhes a existência.

A pobreza é simples apanágio do homem — do homem enquanto se refugia, desassisado, na furna da ignorância.

Somente a alma humana distanciada do conhecimento superior assemelha-se a um fantasma de angústia, penúria e lamentação…


Se podes observar o patrimônio das bênçãos celestiais, no caminho em que evoluis, procura o teu lugar de trabalho e serve infatigavelmente ao bem, para que o bem te ensine a ver a fortuna imperecível que o Pai te concedeu por sublime herança.

Serve aos semelhantes, ajuda a planta e socorre o animal; seja a tua viagem, por onde passes, um cântico de auxílio e bondade, de harmonia e entendimento…

E, à medida que avançares na senda de elevação, encontrar-te-ás cada vez mais rico de amor, encerrando no próprio peito o tesouro intransferível da luz que te abençoará com a felicidade inextinguível, em plenitude da Vida Triunfante.




Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


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