O Espírito de Cornélio Pires

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Capítulo IV
Ilustração tribal

Na mesma moeda


Temas Relacionados:

O coronel Tutuca Sapecado,

A cada petitório de mendigo,

Falava: — “Deus é grande, meu amigo!”

Mas não dava um vintém de mel coado.


Se um doente gemendo afadigado

Vinha pedir perdão de juro antigo,

Louvava: — “Deus é grande! Deus consigo?”

E recebia o cobre assossegado.


Quando morreu ficou na caixa-forte

E gritava mudado pela morte:

— “Quero o auxílio do Céu! Que Deus me mande!”


Mas trancado no escuro, em agonia,

Só escutava alguém que lhe dizia:

— “Fique firme, Tutuca, Deus é grande!”


Alguém escreveu na lousa

Do rico Moura Pamonha:

— Deixou a fortuna aos doidos

Depois de vender maconha.


Na sepultura comum

Da devota Florisbela:

— Morreu fazendo jejum,

Comendo numa panela.


Não largues ao bem-querer

A construção do futuro.

No relógio da paixão

Não há ponteiro seguro.


“Seguro morreu de velho”,

Diz o rifão popular,

Mas faleceu de preguiça

Com medo de auxiliar.




[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]



Cornélio Pires
Francisco Cândido Xavier


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