Quem são
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Prefácio de Emmanuel
Leitor amigo:
Folheando, ao acaso, este volume despretensioso e anotando os nomes diversos daqueles que lhes subscrevem as páginas, é natural perguntes:
— Quem são? De quem são as notícias e esclarecimentos, observações e notas destes comunicados?
E responderemos, de boa vontade: são companheiros que volvem da Espiritualidade, depois das intercorrências da morte, ao encontro dos entes amados que ficaram no Mundo, no intuito de instruí-los e confortá-los; são amigos da verdade que a distribuem no veículo do amor, a benefício dos semelhantes; são semeadores do progresso espiritual, convidando as criaturas à felicidade e ao aperfeiçoamento; e são mensageiros da esperança que se manifestam, levantando almas abatidas pela saudade e pela dor, acendendo luzes nos caminhos para a Vida Maior.
Apresentando-lhes, amigo leitor, os autores deste volume, teremos dito algo das nobres finalidades a que se lhes destinam as palavras iluminadas de compreensão e de amor. Todas se constituem de apelos ao entendimento mútuo e ao otimismo, à beneficência e à paz, à solidariedade humana e à fé em Deus, para o engrandecimento da vida.
Ante a grandeza de propósitos e sentimentos que as inspira, agradecemos a visita e o carinho desses emissários da Luz, com os nossos votos para que lhes aproveitemos as manifestações, voltando-nos, em companhia deles, para a renovadora intimidade com os ensinamentos de Jesus, sempre o nosso Divino Mestre e Senhor.
Uberaba, 18 de Janeiro de 1982.
Juntos sempre e para sempre
Querida mamãe, Minha querida mãezinha, abençoe seu filho em preces a Deus, rogando por nós.
A oração favorece a palavra que meu coração anseia trazer e agradeço a paz do ambiente que a oração tranquiliza e ilumina.
O nosso doloroso Dez de Janeiro já se foi e agora, volvidos dezoito meses, posso voltar a fim de afirmar ao seu carinho que a morte é uma saída oculta na direção da vida verdadeira.
A princípio, depois do golpe inesperado, a perturbação me tomou a cabeça. Eu daria tudo o que eu tivesse, para dizer em casa que eu não desaparecera para sempre.
Fiz tudo, mãezinha, para superar o desequilíbrio e explicar-lhe que o desastre fora apenas um ponto de mudança… Só mudança, nada mais.
Vi-me de coração descompassado, aflito, e a cabeça em fogo…
Uma nuvem me tomara os olhos e imaginava enxergar, sem realmente ver o que eu pensava…
O que houve depois do choque, do qual me desprendi do corpo, realmente não sei.
Fiquei assim na posição de alguém que sofresse longo tempo de anestesia, para despertar de improviso, reassumindo o controle de si mesmo, com muito vagar…
Escutava choro, gritos e lamentações. No meio de todas as vozes, a sua era diferente, diferente de todas, como sempre…
E via suas mãos postas, perto de mim, e ouvia suas palavras de aflição:
“— Ah! Meu Deus, Meu Deus, por que, Meu Deus! por que meu filho? Por que o desastre para meu filho?”
Como me doíam no coração as suas queixas… Era como se as suas lágrimas escorressem sobre o meu rosto, alagando minha alma e sufocando minha capacidade de pensar.
Meu pai, via meu pai, agoniado, vencido.
E todos os nossos como que a me buscarem para o lar, sem que eu pudesse atender.
Minha angústia era tanta que, embora chumbado ao leito que me retinha, pedi a Deus que me enviasse alguém que pudesse abençoar e fortalecer… Foi então que notei, por fim, vovó Thereza ao meu lado.
Ela consolou-me com carinho, pedindo-me calma. E esclareceu que a morte na Terra é um sofrimento que muito poucos até agora conseguem controlar, que eu esperasse que meu coração amoroso seria guiado para a verdade, que eu recebesse as exclamações da família com paciência e que, um dia, eu, com a bênção de Deus, lhes poderia falar.
Tranquilizei-me como pude e aqui estou, querida mamãe, para afirmar que a vida é boa e que tudo acontece para o bem.
Não se entristeça, não se abata, cuide da felicidade de todos os nossos, especialmente de nossa Christina querida. Viva e viva muito, servindo, amando, ajudando os outros, compreendendo e abençoando.
Voltei aparentemente cedo para cá, porque isso era necessário. José Roberto e eu estávamos atados numa dívida que o acidente resgatou.
Mas… esquecemos a dor, para só pensar na esperança. Estou alegre — muito alegre mesmo, ao vê-la num agrupamento de corações dedicados ao bem do próximo.
Trabalhe, mãezinha, pelo bem dos semelhantes.
Na Terra, a pessoa costuma construir com pedras, mas no Céu só se constrói com amor.
Sei que o seu olhar me procura nos jovens de minha idade, buscando auxiliá-los. Faça assim sempre.
E quando me fite nas lembranças de casa, não chore mais. Acalme-se e trabalhemos.
Julgam aí que perdi o curso de Direito que me achava disposto a conquistar, mas aqui igualmente existem escolas e estudarei com entusiasmo, desde que em nosso lar tudo esteja bem.
Mãezinha, como seria bom se eu pudesse continuar escrevendo, escrevendo… Entretanto, não posso continuar.
Continuarei escrevendo em seu coração querido, dando ao seu carinho a certeza de que estamos juntos sempre e para sempre.
Para os nossos, com as minhas preces a Deus pela felicidade de meu pai, as minhas muitas lembranças.
Para sua ternura, querida mamãe, agradecendo as nossas amigas que a trouxeram até aqui, todo o coração de seu filho que não morreu,
De nossa segunda entrevista com a Sra. Alice Decenço, em Uberaba, na tarde de 2 de fevereiro de 1980, já que a primeira se deu logo após a recepção da mensagem, na noite de 11 de julho de 1970, colhemos os seguintes dados sobre a página que foi impressa com o título “Do Mundo Espiritual”:
1 — Querida mamãe: D. Alice Teresa Dias Decenço, residente em Jaboticabal, Estado de São Paulo.
2 — O nosso doloroso Dez de Janeiro: Sérgio Roberto Decenço nasceu em Jaboticabal, a 11 de fevereiro de 1949.
Fez o Curso Técnico de Contabilidade, e trabalhava em escritório de despachante, com o pai.
Era caridoso e católico.
O desastre automobilístico que lhe resgatou uma dívida cármica, juntamente com o colega José Roberto, ocorreu a 8 de janeiro de 1969, na estrada que liga Jaboticabal a Ribeirão Preto, Estado de São Paulo.
Sérgio, na Santa Casa de Ribeirão Preto, chegou a se submeter à intervenção cirúrgica, mas, com o fígado rompido, veio a desencarnar a 10 de janeiro.
Detalhe importante este do Dez de Janeiro, porque o médium desconhecia, por completo, o que pudesse ter acontecido com o jovem Decenço.
3 — “A princípio, depois do golpe inesperado, a perturbação me tomou a cabeça.” — Os que testemunharam o acidente, afirmam que o Volks no qual Sérgio e José Roberto viajavam, foi de encontro a um caminhão que se encontrava com os faróis apagados, no acostamento, ao estourar um pneu.
4 — “Meu pai, via meu pai, agoniado, vencido.” — Trata-se do Sr. Sérgio Decenço.
5 — “Foi então que notei, por fim, Vovó Thereza a meu lado.” — O Espírito se refere à bisavó materna, D. Thereza Pierrotti Talarico, desencarnada há 47 anos, e natural da Itália.
6 — Christina: Maria Christina, irmã. Agora, Maria Christina Decenço de Camalho.
7 — José Roberto: José Roberto Damasceno, colega de curso (Pré-vestibular para Direito), que desencarnou logo após o acidente, a 8 de janeiro de 1969.
8 — “Julgam aí que perdi o curso de Direito que me achava disposto a conquistar, mas aqui igualmente existem escolas e estudarei com entusiasmo, desde que em nosso lar tudo esteja bem.” — Tanto Sérgio quanto José Roberto chegaram a fazer a inscrição para o Vestibular de Direito, em Ribeirão Preto, mas a morte os colheu na viagem de volta aos penates.
Avisada em sonho, cerca de quinze dias antes do acidente sobre o que viria acontecer, D. Alice, por diversas vezes, pedira ao filho o máximo de cuidado, ao volante, e talvez seja por isso que ele tenha alertado todas as mães que passam por experiências semelhantes, ao afirmar, a certa altura da mensagem:
“Não se entristeça, não se abata, cuide da felicidade de todos os nossos…”
“Viva e viva muito, servindo, amando, ajudando os outros, compreendendo e abençoando.”
“Voltei aparentemente cedo para cá, porque isso era necessário.”
“Trabalhe, mãezinha, pelo bem dos semelhantes.”
“Na Terra, a pessoa costuma construir com pedras, mas no Céu só se constrói com amor.”
“Acalme-se e trabalhemos.”
Lágrimas de gratidão
Querida Amália, queridos filhos, peço a Deus nos abençoe a todos.
Não avaliam a surpresa e a emoção com que mobilizo o lápis, com o auxílio do Odilon e de outros amigos da vida nova, para traçar estas notícias.
Ainda não sei se escrevo com lágrimas de gratidão a Deus ou com as preces de agradecimento à família abençoada que a Divina Providência me concedeu a felicidade de partilhar, porque a formação de nossa vida doméstica foi sempre tão bela que acredito tenha vindo dos Poderes do Alto.
Quero dizer a você, querida Amália, que, antes de tudo, estou aqui a fim de expressar o meu reconhecimento, por tudo de bom que recebi de sua dedicação.
Aqui, neste tópico, faço uma pausa para recordar… Lembrar todas as nossas alegrias e dificuldades do princípio, as bênçãos e as lições que nos foi possível entesourar.
Agradeço ao seu carinho por todas as suas páginas vivas de sacrifício por nós todos, seus gestos de amor e renúncia que o velho companheiro não conseguirá esquecer, suas noites e dias de trabalho em nosso favor, a sua paciência e a sua compreensão, abraçando os meus filhos — os nossos filhos — com um só coração de mãe, sem estabelecer diferença…
Agradeço a você por todas as suas demonstrações de amor e devotamento em auxílio ao João, ao Laius, à Laís, ao Waldir, ao Main, ao Eurípedes, ao Walmir, à Wállia, a todas as nossas filhas noras e genros — filhos, por todos os nossos netos.
É difícil para mim manejar a memória com clareza para alinhar todos os nomes. Saibam todos, porém, que se encontram em meu coração.
Cada filho me lembra as suas mãos generosas, construindo, amando, servindo, esquecendo-se de tudo para pensar unicamente em nós.
E talvez tenha sido eu o seu filho de condução mais difícil, aquele filho-esposo que você já recebeu de espírito consolidado. Perdoe-me pelos obstáculos e conflitos que bem sei lhe haver imposto no curso da vida.
Entretanto, querida Amália, sem o coração materno palpitando no corpo do lar, a família deixaria de existir. Em você, temos nós todos a motivação maior para a nossa alegria de viver e aprender com os 1nstrutores do Bem os ensinamentos da elevação de que todos somos necessitados.
Desde muito tempo, venho procurando a oportunidade para endereçar-lhes as minhas notícias e esclarecer que ignoro se haverá no mundo um esposo e um pai tão feliz quanto eu sou.
Em verdade, não pude legar aos meus entes amados qualquer patrimônio de ouro e prata, mas tenho o contentamento de reafirmar aos filhos abençoados que lhes deixei um anjo tutelar em sua presença de mãe e todos esses tesouros que recebemos de sua bondade, no dia a dia da existência.
O amor e o respeito mútuo, a solidariedade e o entendimento da vida, o trabalho e as noções do dever bem cumprido integram a fortuna que nós, querida Amália, sempre buscamos idear e criar para os descendentes. Louvado seja Deus que nos permitiu tamanha felicidade!
Minha libertação do corpo doente e praticamente imprestável, se fez pouco a pouco.
Estou grato aos filhos queridos que nos auxiliaram a manutenção do velho pai em casa mesmo, no aposento que ficou marcado para nós como sendo um ponto de encontro com as orações, à procura das bênçãos de Jesus.
Aqueles dias e noites de minha incapacidade para falar ou movimentar-me não me retiraram a lucidez, acompanhei o meu processo de libertação do veículo físico, sem perder uma só das minudências.
A música dos dias últimos que o nosso Eurípedes inventou para auxiliar-me, exercia sobre mim uma hipnose benéfica, dentro da qual conseguia esquecer o mal-estar que me tomava todo o corpo, em forma de dor indefinível.
Ouvia as orações dos amigos, recebia os passes e aquelas melodias que me induziam aguardar com serenidade o alvorecer de um dia novo, faziam o fundo de meus pensamentos de esperança em Deus.
A 17 de outubro — bem me recordo —, consegui ver minha mãe, tão perfeitamente como quando em criança e em silêncio, só pedia a Deus me fizesse de novo, criança em seus braços… Ela sorriu e me pediu paciência.
À medida que a noite avançava, comecei a sentir que a visão se ampliava… Tive a ideia de que o quarto estava visitado por amigos e companheiros que me antecederam, havia tanto tempo… Reconheci a presença de nosso amigo Dr. Paulo Rosa, que me disse reconhecer-me novamente na condição de um menino doente que ele, com bondade, vinha auxiliar…
Entendi que o tempo para mim estava esgotado. Era preciso aceitar e partir, segundo os Desígnios da Vida Superior.
As preces de tantos anos, todas elas iluminadas de fé em Deus, estavam funcionando…
Amigos da Vida Maior aplicavam-me passes magnéticos através de movimentos que me eram familiares, e adormeci sem dificuldade.
Acordando em casa mesmo, notei, embora com muito abatimento, a presença de criaturas queridas que estavam sempre em nosso amor. Minha mãe e meu pai João Lício, meu outro pai Miguel e dona Maria, minha outra mãe, estavam comigo.
Nossa estimada Lola auxiliava-me na posição de irmã abnegada e mais experiente que eu mesmo… E outros amigos chegavam ou haviam chegado e eu começava a vê-los com os meus próprios olhos, dentre eles, o Odilon Fernandes, o Carvalho, o Maciel, o Anatólio, o Ricciopo e muitos outros que não posso por agora enumerar.
O toque final que me desligava do corpo então imóvel, veio de nosso devotado Eurípedes Barsanulfo, a quem recorria em meus minutos de silêncio forçado no leito…
Passei a percepções mais amplas, recebendo abraços de amigos do tempo em que trabalhava com o Dr. João Waack e outros companheiros. O nosso Edmundo, que se encontra aqui conosco, abraçando a nossa querida irmã Vitória, me prestou valioso concurso.
Querida Amália, quem conseguirá contar tantas ocorrências, rememorando um dia como aquele de saudade e esperança, paz e despedida?
Antes da remoção da vestimenta imprestável que eu deixava, médicos amigos me aplicaram recursos de sedação que me asserenaram e, quando despertei, me achava na 5ida Diferente, em que me vejo agora…
Saudades são hoje orações comigo, entretanto, tenho a alegria de informar que já posso prosseguir trabalhando… Muito pouco é o que consigo fazer, mas esse pouco já me reconforta e me indica novas realizações do futuro.
Agradeço a toda a nossa querida família, que me auxiliou tanto na preparação. Tudo foi mais fácil para mim, de vez que, pouco a pouco o meu remédio, absolutamente indispensável, foi a paciência com que me suportaram. Deus recompense a todos.
Se pudesse, seguiria escrevendo, escrevendo…
Mamãe está em minha companhia e agradece por mim igualmente, quanto fizeram em minha proteção.
Não posso dizer que estou plenamente feliz, porque ausência dos familiares inesquecíveis não dá para fazer a alegria total de ninguém, mas posso dizer que já me esforço para comprar a felicidade com o valor do trabalho, da seara do bem que Jesus me auxiliará a desenvolver.
Abraço a todos os filhos, com o carinho de todos os dias, e peço a todos considerarem comigo que o meu tempo de permanência no corpo físico havia realmente terminado e que se me demorasse por mais semanas ou meses, teria o meu processo de esclerose muito agravado. Deus nos proporciona sempre o melhor.
Rogo a Deus abençoe a todos eles, junto das noras que se fazem representar nesta noite por nossa Zélia e por nossa Dílcia. Estimo que o nosso Paulinho continue em plena restauração. Não faço uma relação de nomes por não desejar praticar esquecimento.
Querida Amália, nossa prezada Lola, que não está presente na noite de hoje, nos reafirma guardar você no coração por irmã e mãe para quem ela roga as bênçãos de Jesus.
E ao terminar esta carta, quero rematar com a minha antiga trova, em diferente expressão.
Deixando o mundo de abrolhos,
Guardo, ante a Bênção Divina,
A menina de meus olhos
Nos olhos desta menina.
Sabe você, querida Amália, que esta menina é você em meu coração e em meu pensamento.
Muito carinho a todos os nossos, e para você todo o amor e todo o reconhecimento de seu, sempre seu,
A mensagem que titulamos “Ante a Bênção Divina” é a primeira de uma série de três, recebida pelo médium Xavier, em Uberaba, na noite de 22 de outubro de 1978.
O autor espiritual, Sr. Waldemar Vieira, nasceu em Campos, Estado do Rio de Janeiro, a 8 de janeiro de 1898, e desencarnou em Uberaba, a 18 de outubro de 1977, depois de longo tempo de sofrimento, em seu próprio lar, em consequência de um acidente vascular cerebral, em 1971, e fratura de fêmur, em março do seu último ano de permanência no Plano Físico.
Fundador da primeira estação de rádio, de Uberaba, a “PRE-5 — Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro”; ex-presidente do Grupo Espírita Aurélio Agostinho, cujo 60.° aniversário de fundação se comemorou, em 1980; e um dos fundadores da Escola Técnica José Bonifácio, a primeira, no gênero, a ser criada na região, Sr. Waldemar Vieira era autodidata, tendo feito parte do curso ginasial, em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. Ex-presidente do Rotary Clube de Uberaba.
Lia muito, possuindo respeitável cultura.
Gostava da Eletrônica, tendo sido grande entusiasta dos primeiros aparelhos estereofônicos e um dos primeiros revendedores desses aparelhos, em Uberaba.
Era espírita convicto e médium passista de vastos recursos.
Por itens, analisemos os pontos altos da aludida mensagem, no que se refere aos elementos comprobatórios de autenticidade e doutrinários.
1 — Querida Amália: Trata-se de D. Amália Tahan Vieira, segunda esposa do Espírito comunicante, residente em Uberaba.
2 — Com auxílio do Odilon: O Espírito se refere ao Dr. Odilon Fernandes, que nasceu em São João de Capivari, Estado de São Paulo, a 10 de outubro de 1903, e desencarnou em Guarulhos, Estado de São Paulo, a 13 de janeiro de 1973, em consequência de processo blastomatoso que lhe atingiu o fígado e o pâncreas.
Era cirurgião-dentista e professor titular de Técnica, na então Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, hoje FIUBE.
Grande estudioso da mediunidade de efeitos físicos, fundou o Centro Espírita — Casa do Cinza —, homenageando seu genitor desencarnado, Sr. Ludovice Fernandes (Cinza).
3 — “Agradeço a você por todas as suas demonstrações de amor e devotamento em auxílio ao João, ao Laius, à Laís, ao Waldir, ao Main, ao Eurípedes, ao Walmir, à Wállia, a todas as nossas filhas — noras e genros — filhos, por todos os nossos netos.” — Vejamos, por ordem, os nomes citados pelo Espírito do Sr. Waldemar:
a) João: João Lício Vieira Neto, chefe da Seção de Vendas da Philips, em São Paulo, Capital;
b) Laius: Laius Fernandes Vieira, também residente na capital paulista;
c) Laís: Sra. Laís Vieira Tahan, casada com o Sr. Eduardo Tahan, residente em São Paulo, Capital;
d) Waldir: Dr. Waldir Vieira, Procurador Geral da Justiça em Minas Gerais; professor de Noções de Direito e Legislação, na Escola de Engenharia de Ouro Preto, e de Direito Penal, na Escola Milton Campos. Residente em Belo Horizonte;
e) Main: ou Mainho, como se verá grafado na segunda mensagem, é o Dr. Waldemar Vieira Júnior, distinto cirurgião plástico e professor universitário, residente em Uberaba;
f) Eurípedes: Dr. Eurípedes Tahan Vieira, cirurgião geral e gastrenterologista com larga experiência nos Estados Unidos da América do Norte, além de professor na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, de Uberaba;
g) Walmir: Dr. Walmir Tahan Vieira, cirurgião-dentista e professor na Faculdade de Odontologia da Universidade de Uberlândia, residente na progressista cidade triangulina;
h) Wállia: Sra. Wállia Vieira Bastos Silva, casada com o Dr. José Francisco Bastos Silva, Delegado Seccional, em Araraquara, Estado de São Paulo;
i) netos: Ao todo são 29, sendo 12 da primeira esposa e 17 do segundo casamento. (Dados fornecidos por D. Amália, na tarde de 5 de junho de 1980, em sua residência.)
4 — “E talvez tenha sido eu o seu filho de condução mais difícil, aquele filho-esposo que você já recebeu de espírito consolidado. (…) / Entretanto, querida Amália, sem o coração materno palpitando no corpo do lar, a família deixaria de existir.” — Com efeito, para que possa um casamento sobreviver com o mínimo de complicações de ordem cármica para o lado dos próprios cônjuges e dos filhos do casal, a condição precípua há de ser esta: que o marido não seja simplesmente marido, mas filho-esposo, passando toda a constelação familiar a ser regida — orquestra abençoada de irmãos — tão só pelo coração materno, lídimo representar do magnânimo coração do Cristo, em perfeita comunhão com o Pai.
5 — “Em verdade, não pude legar aos meus entes amados qualquer patrimônio de ouro e prata…” — Lembrete dos mais oportunos para todos nós, os pais ansiosos da atual sociedade consumista, que, em detrimento da educação espiritual, pretendemos deixar aos nossos filhos bens materiais supérfluos.
6 — “Minha libertação do corpo doente e praticamente imprestável se fez pouco a pouco.” — Na verdade, segundo D. Amália, Sr. Waldemar permaneceu oito meses de cama, e entre duas grandes intervenções cirúrgicas a que se submeteu, com sonda nasogástrica, cânula traqueal, etc., sem jamais se queixar da situação em que se encontrava. Três meses antes de desencarnar, não articulava uma só palavra, mas seu olhar denotava absoluta aceitação, que o induzia aguardar com serenidade o alvorecer de um dia novo, imerso nos pensamentos de esperança em Deus.
7 — “A música dos dias últimos que o nosso Eurípedes inventou para auxiliar-me, exercia sobre mim uma hipnose benéfica, dentro da qual conseguia esquecer o mal-estar que me tomava todo o corpo, em forma de dor indefinível.” — As músicas selecionadas pelo Dr. Eurípedes eram, principalmente, as preferidas por seu genitor — de Beethoven e Mozart.
8 — Nosso amigo Dr. Paulo Rosa: Distinto médico pediatra e escritor, sobre quem já traçamos ligeiro perfil na obra “Enxugando Lágrimas”. (Uberaba, MG, 22 de janeiro de 1904 — Anápolis, GO, 6 de novembro de 1969.)
9 — “Minha mãe e meu pai João Lício, meu outro pai Miguel e dona Maria, minha outra mãe, estavam comigo.”
a) minha mãe: D. Margarida Diniz Peçanha Vieira, prima de Nilo Peçanha (1867-1924), ilustre homem público, nasceu em Campos, RJ, — seu natalício era comemorado a 17 de agosto —, e desencarnou em Uberaba, a 10 de janeiro de 1960, já bastante idosa;
b) meu pai João Lício: Sr. João Lício Vieira era natural de Iguape, Estado de São Paulo. Desencarnou em Uberaba, a 28 de dezembro de 1917; era chefe do Telégrafo, dos mais dedicados;
c) pai Miguel: Sr. Ragueb Tahan, genitor de D. Eimália, nascido na Síria e desencarnado em Uberaba, a 26 de abril de 1955; d) dona Maria: D. Maria Tahan, Sra. mãe de D. Amália, também nascida na Síria e desencarnada em Uberaba, a 30 de janeiro de 1956.
10 — Nossa estimada Lola: Professora Maria Rosa Fernandes Vieira, primeira esposa do Sr. Waldemar Vieira, nascida e desencarnada em Uberaba. Era irmã do Dr. Odilon Fernandes.
11 — Outros amigos — o Carvalho, o Maciel, o Anatólio, o Ricciopo:
a) o Carvalho: David de Carvalho, nascido em Redinha, Portugal, a 27 de janeiro de 1899, e desencarnado em Uberaba, a 13 de setembro de 1965. Formou-se em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, na antiga Escola de Farmácia;
b) o Maciel: Sr. Francisco Maciel, comerciante, ex-Juiz de Paz e avaliador do Banco do Brasil S.A., nasceu e desencarnou em Uberaba, respectivamente, a 8 de abril de 1900 e 10 de janeiro de 1971;
c) o Anatólio: Sr. Anatólio Magalhães, renomado pintor que nasceu a 15 de fevereiro de 1887 e desencarnou a 15 de agosto de 1963, em Uberaba, não deixando bens, nem filhos, conforme consta do seu registro de óbito n.° 728, às fls. 38 do livro C, n.° 31, no Cartório de Registro Civil.
Filho de Antônio Augusto Pereira de Magalhães e de dona Cornélia Carolina de Souza Magalhães, era viúvo de D. Olympia Gomes Magalhães, e residia à Rua Henrique Dias, 16.
Depois de afirmar que Anatólio Magalhães foi professor de desenho e pintura, deixando grande número de quadros, muitos deles sobre motivos locais, notadamente a nossa praça da Matriz, a Igreja de Santa Rita, e outros mais, assim se expressou o jornal uberabense Lavoura e Comércio, a seu respeito:
“Uberaba perdeu, na tarde de quinta-feira última, um dos seus lídimos valores na arte pictórica, um artista de apreciáveis méritos, pertencente à velha guarda daqueles que deram brilho e realce à nossa cidade há meio século e que até os últimos anos de sua vida seguiu a escola da arte clássica, com técnica e sentimento.”
d) o Ricciopo: Sr. João Ricciopo, competente alfaiate, nascido em São Paulo, Capital, e desencarnado em Uberaba, a 11 de outubro de 1973.
12 — Nosso devotado Eurípedes Barsanulfo: Sobre o Missionário do Triângulo Mineiro, que nasceu e desencarnou em Sacramento, Minas Gerais, respectivamente, a 1.° de maio de 1880 e 1.° de novembro de 1918, cujo Primeiro Centenário de Nascimento se comemorou, festivamente, em 1980, em todo o Brasil, consultemos o Capítulo 5 de “Enxugando Lágrimas”. ()
13 — O Dr. João Waack; o nosso Edmundo; a nossa querida irmã Vitória:
a) Dr. João Waack: nasceu em Campinas, Estado de São Paulo, em 1900, e desencarnou em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, em 1980;
b) Edmundo: Edmundo Mendes, espírita e fazendeiro irmão do Sr. Lamartine Mendes. Nasceu a 20 de fevereiro de 1905 e desencarnou a 14 de junho de 1970, em Uberaba;
c) querida irmã Vitória: D. Vitória Tahan Mendes, irmã de D. Amália e viúva do Sr. Edmundo Mendes, residente em Uberaba.
14 — “Abraço a todos os filhos, com o carinho de todos os dias, e peço a todos considerarem comigo que o meu tempo de permanência no corpo físico havia realmente terminado e que se me demorasse por mais semanas ou meses, teria o meu processo de esclerose muito agravado. / Deus nos proporciona sempre o melhor.” — Trecho dos mais sérios para quantos sejam portadores de esclerose periférica ou convivam com pessoas devastadas pela esclerose cerebral, alertando-os quanto à necessidade da paciência ante os Desígnios sempre sábios e Superiores da Vida.
15 — Nossa Zélia; nossa Dílcia; nosso Paulinho:
a) Zélia: D. Zélia Gonzaga Vieira, esposa do Sr. Laius, nora, portanto, do Sr. Waldemar;
b) Dílcia: D. Dílcia Carvalho Vieira, esposa do Dr. Waldemar Vieira Júnior;
c) Paulinho: Dr. Paulo Flávio Gonzaga Vieira; filho do Sr. Laius e de D. Zélia, engenheiro em Piracicaba, Estado de São Paulo, que havia se submetido a uma intervenção cirúrgica, dias
16 — “Querida Amália, nossa prezada Lola, que não está presente na noite de hoje, nos reafirma guardar você no coração por Irmã e Mãe para quem ela roga as bênçãos de Jesus.” — Observemos a delicadeza do Espírito ao se referir à sua primeira Esposa, que o deixara viúvo, aos trinta e três anos de idade, quando se dirige à sua segunda esposa-mãe, ainda presa à gleba terrestre, onde o Amor, sempre ilimitado, toma aparência de algo infantil e possessivo.
17 — “E ao terminar esta carta, quero rematar com a minha antiga trova, em diferente expressão.” — Tivemos o privilégio de ler num pedacinho de papel, amarelecido pelo tempo, a trova que o Sr. Waldemar Vieira escreveu para D. Amália, há mais de cinquenta anos, a 15 de agosto, numa quermesse da Festa de Nossa Senhora de Abadia, na cidade de Conquista, Estado de Minas Gerais, algum tempo depois que ele se enviuvara.
Constituindo-se em excelente prova de autenticidade mediúnica, já que o médium Xavier desconhecia por completo o fato, eis o texto da quadra, que tivemos o cuidado de copiar, ipsis literis:
Oh! que olhos de menina,
Oh! que menina de olhos
Esses seus olhos, menina,
São as meninas de meus olhos.
SEGUNDA MENSAGEM
Querida Amália, queridos filhos, Deus nos abençoe.
Foi realmente esta uma semana de bênçãos. As lembranças condensadas me atingiram de impacto. E a alegria misturada de saudade me fez agitado o coração, qual se me visse no corpo físico outra vez.
Dois anos de liberação. O casulo ficou à distância, não me comparo à borboleta, mas conservo a leveza de quem se desvencilhou de uma vestimenta pesada, que me inibia os movimentos. Agradeço por tudo.
De você, querida Amália, de nossa Vitória presente, de cada filho e dos netos, recebi vibrações de paz e alegria, à feição do aniversariante que recolhe flores dos corações queridos, em cujo perfume se rejubila o espírito festejado de estímulos e bênçãos.
Não sei como devo expressar o contentamento que me possui a alma toda. Creio que não existe para os pais alegria maior do que reconhecer os filhos felizes e orientados para o bem.
Que as lutas não faltam, sei de sobra. Não há neste mundo quem possa caminhar sem problemas que, aliás, funcionam na condição de energizantes para todos, porque as dificuldades não nos permitem cristalizar os pensamentos, livrando-nos da inércia. Ainda assim, devo reconhecer que todos os nossos fazem o melhor ao alcance de cada um, e não me seria lícito pedir mais.
Também estive na Terra o suficiente para saber que os obstáculos nos surgem à frente de múltiplas formas. E é preciso estar o sentimento de sentinela firme, examinando situações com discernimento, para escolher as que nos façam as mais justas.
A morte do corpo deixa cair todos os véus sob os quais nos ocultemos e conseguimos verificar a extensão de nossas deficiências com vasta intensidade.
Assim, bastem para mim as recordações que ficaram no lado bom de nossas vidas, para que eu possa extirpar de mim mesmo certas formas de desejo que não quadravam com o meu modo de sentir e de ser.
Felizmente, tudo segue bem e junto dos companheiros a que me associei, formamos um grupo de seareiros em serviço, dispostos a trabalhar em nossa restauração espiritual ainda incompleta. O nosso Odilon Fernandes, o Maciel e o Carvalho somam comigo a força e a esperança em busca de melhores realizações.
Junto do Eurípedes e do Main em particular temos funcionado na posição de enfermeiros inexperientes, mas, com a proteção do Senhor, estamos agindo.
Se existe determinado tipo de medicina por trás do trabalho de vocês, meus filhos, somos aqui a legião da cobertura espiritual que velamos atentamente por tudo o que realizam.
Tenhamos coragem e fé, e sigamos para diante. Entendemos que o sacrifício para vocês é permanente, mas Deus saberá prover-nos e com os melhores recursos, em todas as nossas necessidades.
Recordo-me de todos e especialmente do nosso Waldir, que abraçou tantos serviços de uma só vez. Jesus o ampare por seus mensageiros de amor e luz.
Todos estão em meus pensamentos e basta ligeira anotação mental de cada um para que esteja junto de todos, cooperando quanto se me faça possível no entrosamento das medidas que se nos façam aconselháveis à paz.
Em me comunicando, hoje, não tenho a preocupação de mencioná-los nome por nome, entretanto, peço à querida Amália dizer quando inquirida a meu respeito, que continuo em ligação íntima com todos os corações queridos que deixei no Plano Físico.
A minha situação de pai perto é boa por um lado, mas difícil por outro; enquanto nem sempre consigo evitar que os entes amados venham a entrar em problemas e lutas de que necessitam na aquisição de experiências, nas quais não devo e nem posso interferir pelo respeito que me compete observar, ao lado de cada um.
Acompanho, cada filho, quanto se me faz possível, e anoto essa alegria a que me reporto. Por minhas próprias lutas que fui obrigado a facear, muitas vezes, de coração desprevenido, reconheço que todos fizeram melhor do que eu mesmo nos acontecimentos que lhes marcam os dias.
Quando amadurecemos o bastante na idade física, já não estimamos repreender os mais jovens, porque a maturidade nos haverá imposto novos padrões de entendimento. Refiro-me a isso para dizer que, depois da desencarnação, o gosto de reprimir acaba totalmente em nossas disposições mais íntimas.
Isso ocorre porque finalmente conseguimos examinar as pessoas conforme as necessidades que apresentam. Em vista disso, espero me procurem sempre, no campo das recordações, na posição do amigo mais experiente e não do pai que já reconheceu a obrigação de entregá-los às Leis de Deus.
Felizmente, querida Amália, tenho melhorado muito. O trabalho me abrigou em suas vantagens e já não disponho de tempo para carregar a mim mesmo.
É indispensável dissolver as forças negativas ou menos construtivas que porventura transportemos em nós, a fim de extinguir os resíduos das recordações ou fixações inconvenientes que trazemos.
Encontrei vários amigos que se interessavam por nossa imediata mudança de Plano, entretanto, isso para mim traria alguma distância dos que mais amo e resolvi fazer opção que os Mentores da Espiritualidade Maior me ofereceram: servir aqui mesmo, na cidade, na Legião dos Obreiros do Bem que assistem a extensa comunidade de sofredores encarnados e desencarnados, porque isso me faculte o prazer de me sustentar frente à família, seguindo-lhe os movimentos.
Este é o câmbio novo a que me submeti: trabalhar pelos outros com todas as minhas forças, de modo a permanecer com vocês, que continuam sendo as minhas melhores esperanças da vida.
Peço aos filhos queridos não rememorarem o que eu tenha praticado de menos feliz, lembrando simplesmente o amor que nos ficou no espírito por luz imorredoura. Desse modo, se encontrarem algo de bom no pai humilde e pobre que fui, guardemos esses traços, esquecendo os sinais de minha inferioridade.
Ainda assim, estou contente porque posso retribuir à querida Amália, de algum modo, toda a assistência carinhosa que recebi do seu devotamento de esposa que sempre me suportou as horas escuras com bondade e compreensão, ternura e heroísmo.
E digo a você, Amália querida, que empreendo todos os serviços que se me fazem possíveis para vê-la fortalecida e contente, junto dos nossos.
Aqui chegando, é que o nosso coração se capacita de que não basta o carinho para fazer mais felizes aqueles que esperamos. É preciso trabalhar e servir para merecer os meios justos, de modo a instalar os corações que amamos numa condição pelo menos mais próxima daquela que lhes desejamos.
Por isso mesmo, aguente firme as dores do corpo ruim e as dificuldades das pernas, porque você permanecerá com nossos filhos e netos tanto tempo quanto possível, até que seu velho possa obter créditos precisos para um reencontro feliz.
Você, que enfrentou comigo tantos dias de laboriosa construção da família, não chegará onde me encontro, à maneira de pessoa esquecida pelo companheiro que lhe deve tanto.
Trabalho e trabalho vigorosamente para ser mais útil e sendo mais útil, é compreensível que as utilidades de que necessito, a fim de aguardá-la dignamente, se façam mais acessíveis para mim.
Nunca se sinta só, em vista da família hoje mais ampla com os filhos queridos situados em outros setores diferentes da nossa casa. Estamos juntos.
Ainda mesmo que os irmãos, amigos do alheio, nos assaltem as lembranças, não se incomode. As nossas relíquias estão mais comigo, onde atualmente me vejo do que aí, onde todos os pertences materiais se desgastam com o tempo.
Faça o seu melhor sorriso nos momentos mais graves, e mostre à vida que estamos sempre vivendo mais intensamente um para o outro.
Desculpem as tiradas longas. Procurarei terminar.
Agradecemos as preces semanais neste aposento que ficou sendo a parte mais iluminada de nossas lembranças, e agradeço, não só em meu nome, mas também pelos companheiros beneficiados em nossos instantes de oração.
O Edmundo está presente e agradece a pontualidade da nossa Vitória. Chegará o momento em que ele lhe escreverá a carta de amor que espera endereçar-lhe.
Minha gratidão aos netos amigos, representados por nosso Waldemarzinho, por nossa Sandra e por nossa Patrícia, os companheiros do futuro que se farão nossos credores pelo muito de bem que, se Deus quiser, realizarão por nós todos.
Das nossas filhas, agradeço em nossa Dílcia o carinho de sempre. Abraço os filhos todos em nosso Eurípedes e em nosso Main, e vamos finalizar, que o papel também precisa de quem o poupe.
Estou agradecido e melhorando sempre, graças a Deus. Muitos amigos estão conosco, entretanto, a mamãe continua ao lado de nosso Odilon, que está morando nele mesmo, sem abrir janelas para ninguém.
O prezado papai João Lício está conosco, os nossos pais do coração, Miguel e Dona Maria estão firmes em nossas preces. Aos amigos presentes, o meu “muito obrigado”.
E agora, querida Amália, precedendo o ponto final, tentarei articular a sua lembrança, a lembrança que ofereço a você por flor dos meus melhores sentimentos:
Amália sempre querida
Na bênção do nosso lar,
Sei que você compreende
O que anseio registrar:
Do que conservo do mundo,
O que tenho na visão,
É a menina dos meus olhos
Que trago no coração.
Um grande abraço a todos.
Muito carinho e reconhecimento do esposo e do papai, sempre amigo,
A segunda mensagem do Sr. Waldemar Vieira — “O Casulo Ficou à Distância” —, que foi transmitida dois anos após a sua desencarnação, na noite de 21 de outubro de 1979, através do médium Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, oferece-nos margem para interessantes ilações.
1 — “De você, querida Amália, de nossa Vitória presente, … — Consultemos o capítulo anterior, n° 1 e 13-c (itens).
2 — “Que as lutas não faltam, sei de sobra. / Não há neste mundo quem possa caminhar sem problemas que, aliás, funcionam na condição de energizantes para todos, porque as dificuldades não nos permitem cristalizar os pensamentos, livrando-nos da inércia.” — Sobre o assunto, sugerimos a leitura dos n.os 258 a 273 de “O Livro dos Espíritos” () , e o Capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, () ambos de Allan Kardec.
3 — “Refiro-me a isso para dizer que, depois da desencarnação, o gosto de reprimir acaba totalmente em nossas disposições mais íntimas. / Isto ocorre porque finalmente conseguimos examinar as pessoas conforme as necessidades que apresentem.” — Que nós outros, os reencarnados, enquanto jornadeamos no Plano Físico, possamos nos esforçar por reprimir menos, aceitando como e quais são as pessoas com as quais fomos chamados a viver juntos.
4 — “O trabalho me abrigou em suas vantagens e já não disponho de tempo para carregar a mim mesmo.” — Que possamos reler as questões 674 a 685 () de “O Livro dos Espíritos”, principalmente a 683: () “Qual é o limite do trabalho? / — O limite das forças; de resto, Deus deixa o homem livre”.
5 — “Peço aos filhos queridos não rememorarem o que eu tenha praticado de menos feliz, lembrando simplesmente o amor que nos ficou no espírito por luz imorredoura.” — Alerta dos mais preciosos para que possamos combater, não somente em relação aos desencarnados, mas aos que se acotovelam conosco, no dia a dia, o mau vezo da maledicência, esforçando-nos por praticar a caridade moral, de que trata Allan Kardec, no Capítulo XIII, nº 9 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. ()
6 — O nosso Odilon Fernandes, o Maciel e o Carvalho: Cf. na primeira mensagem os itens n° 2 e 11-a e c.
7 — “Junto do Eurípedes e do Main em particular temos funcionado na posição de enfermeiros inexperientes, mas, com a proteção do Senhor, estamos agindo. / Se existe determinado tipo de medicina por trás do trabalho de vocês, meus filhos, somos aqui a legião da cobertura espiritual que velamos atentamente por tudo o que realizam.” — Sobre Eurípedes e Main, consultemos o item 3-e f da mensagem anterior.
Integrando a Legião dos Obreiros do Bem, que assistem a extensa comunidade de sofredores encarnados e desencarnados da cidade de Uberaba, Sr..Waldemar Vieira transmite-nos algo importante sobre o assessoramento espiritual dos discípulos de Hipócrates, no seu labor diário.
8 — “Recordo-me de todos e especialmente do nosso Waldir, que abraçou tantos serviços de uma só vez.” — Cf. o item 3-d da mensagem anterior.
9 — “A minha situação de pai-perto é boa por um lado, mas difícil por outro; enquanto nem sempre consigo evitar que os entes amados venham a entrar em problemas e lutas de que necessitam na aquisição de experiências, nas quais não devo e nem posso interferir pelo respeito que me compete observar, ao lado de cada um.” — A fim de que possamos comprovar o fato de que os Espíritos que deixam filhos no mundo, têm tendência para adotar a situação que o Sr. Waldemar Vieira nomeia por pai-perto, consultemos o item 5 do Capítulo 7 de Irmã Vera Cruz. ()
10 — “Por isso mesmo, aguente firme as dores do corpo ruim e as dificuldades das pernas, porque você permanecerá com nossos filhos e netos tanto tempo quanto possível, até que seu velho possa obter os créditos precisos para um reencontro feliz.” — Não nos sendo possível transcrever, na íntegra, o item 25 do Capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, () expressiva página do Espírito de François de Genéve, remetemos o leitor a ele, a fim de que possa, cada vez mais, se edificar, espiritualmente.
11 — “O Edmundo está presente e agradece a pontualidade da nossa Vitória.” — Cf. o item 13-b-c, da mensagem anterior.
12 — Waldemarzinho, Sandra e Patrícia: Netos do Espírito comunicante, sendo a última filha do Dr. Eurípedes Tahan Vieira.
13 — “Das nossas filhas, agradeço em nossa Dílcia o carinho de sempre.” — Cf. item 15-b, da mensagem anterior.
14 — “Muitos amigos estão conosco, entretanto, a mamãe continua ao lado de nosso Odilon, que está morando nele mesmo, sem abrir janelas para ninguém.” — Trata-se do Sr. Odilon Vieira, irmão do comunicante, Espírito culto e nobre, atualmente segregado em altos estudos com respeito à psicologia e personalidade.
15 — “O prezado papai João Lício está conosco, os nossos pais do coração, Miguel e Dona Maria estão firmes em nossas preces.” — Sobre os nomes citados, consultemos o item 9-b-c-d, da mensagem anterior.
Belíssima a oitava com que o Espírito do Sr. Waldemar conclui a sua segunda mensagem, dentro da tônica da “menina dos meus olhos”.
Confortador, sem dúvida, saber que a vida continua e que sempre seremos nós mesmos, cabendo-nos harmonizar-nos com a Divina Providência, seguindo as pegadas do Divino Mestre.
[Duas delas estão aqui transcritas e analisadas pelo organizador do presente volume]
Lavoura e Comércio, Uberaba, 17 de Agosto de 1963, Ano LXV, Número 15.918, p. 3.
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trad. de Salvador Gentile, 8ª edição — revista e corrigida, outubro de 1979, IDE, Araras (SP), p. 277.
“O meu tempo estava marcado”
Querida mãezinha Conceição e meu querido papai Indalécio, peço para que me abençoem.
Estou presente nesta carta com as dificuldades em que me vejo para me retratar fielmente.
Já que escrevo por outra mão, noto que a letra não pode assemelhar-se, de todo, à minha própria letra, mas escrevo com a alegria de quem achou um canal para afirmar-lhes que a morte não é senão certa mudança de lugar sem transformação para nós mesmos.
Agradeço à tia Cleide e a todos que os encorajaram a vir.
A vovó Salvina e o meu avô José Ruiz me conduziram até aqui de modo a lhes pedir coragem e fé em Deus.
Rogo especialmente ao irmão, ao nosso querido Indalécio, o Júnior, para que não se mortifique em razão do sucedido. Não foi porque houvesse conduzido o irmão para os estudos que o desastre se verificou. O meu tempo estava marcado.
Os meus avós, que me abrigaram com amorosa solicitude, me reconfortaram na hora justa, e venho pedir à mamãe para chorarmos somente de gratidão e de alegria.
De começo, a minha surpresa foi muito grande, mas acordando da inconsciência a que fui arrojado, pelo choque, pude revisar com a calma possível a ocorrência e aceitar a realidade de que a Divina Providência faz sempre o melhor, em nosso benefício.
Não ficarei inerte. Estou promovendo recursos de habilitar-me em conhecimentos novos, a fim de auxiliar aos pais queridos, e confio em que os Poderes Maiores da Vida me protegerão.
Mãezinha, peço-lhe concordar com as Leis Divinas que nos comandam as experiências. A sua fortaleza será um centro de energias para nós todos, porque o papai, o irmão e eu dependemos de suas emoções para equilibrar as nossas.
A vovó Salvina tem-me auxiliado com infatigável dedicação, e de meu pensamento os quadros de doze de abril já se foram definitivamente retirados. Agora, penso em renovação e futuro melhor.
Pai querido, não suponha haver perdido o seu filho. Estaremos sempre mais ligados um ao outro para trabalhar com fé em nosso próprio esforço perante a Infinita Bondade que nos sustenta.
Agradeço as preces e as flores que me ofertam, e agradecerei também a coragem e a tranquilidade que me possam endereçar através das orações. Estou melhorando sempre.
Um abraço a todos os nossos, na pessoa da tia Cleide.
E colocando a mãezinha, o papai e o irmão nos meus próprios braços, agradece-lhes por todas as bênçãos de proteção e amor com que me enfeitaram a existência na Terra, o filho e irmão sempre muito grato, que pede a Deus por nossa paz e felicidade, para hoje, amanhã e sempre,
Graças à gentileza do confrade Sr. Antônio Borges da Silva, foi-nos possível incluir neste livro a mensagem de Edilson Carlos Nogueira, recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, a 12 de julho de 1980, às 3:30 horas, no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, que constitui o capítulo anterior — “Coragem e Fé em Deus”.
Sem nenhum comentário de nossa parte, procuremos transcrever parte da primeira carta que a Sra. Conceição Carini Nogueira escreveu ao Sr. Antônio, e o relatório que nos enviou, por seu intermédio:
“São Paulo, 4 de setembro de 1980.
Sr. Antônio,
Espero que ao receber esta, esteja o senhor gozando de perfeita saúde, junto de seus familiares.
Por motivo de doença, não pude me comunicar com o senhor, mas não me esqueci de tudo o que o Amigo fez para que eu conversasse com o Chico Xavier.
Junto desta, estou-lhe enviando uma cópia da mensagem que eu recebi do meu filho.
O senhor me disse que tinha um amigo que publicava em livro as mensagens recebidas pelo Chico Xavier; peço-lhe para que fale com esse seu amigo para publicar a mensagem do meu filho, e se ele precisar de mais dados sobre meu filho, eu darei, bastando o senhor me escrever.
(….) O que o senhor precisar aqui em São Paulo, e eu puder fazer, estarei pronta para ajudá-lo, como fui ajudada pelo senhor.
Quero lhe pedir, por favor: se o senhor arranjar um jeito de seu amigo publicar a mensagem de meu filho, queira me dizer qual é o livro para que eu possa comprá-lo, e se precisar de mais detalhes, por gentileza, escreva-me.
Termino esta, desejando-lhe muitas felicidades e a todos os seus, e que Deus os proteja, sempre e sempre.
“Relatório
nasceu em São Paulo, Capital, a 19 de janeiro de 1966, tinha 14 anos de idade quando desencarnou em acidente de moto, na mesma cidade, a 12 de abril de 1980.
Estava ele na 8ª série ginasial, iria se formar este ano; sua profissão: estudante; religião: católica; tinha muitos amigos e era bem relacionado com os colegas; o que podia fazer para os amigos, ele não media sacrifícios e fazia sempre.
Tinha muita saúde, quase nunca ficava doente, gostava muito da vida, adorava motos, carros esportes, gostava de se vestir bem, era muito vaidoso, fazia planos para seu futuro, e queria se formar em Engenharia Mecânica.
Sempre foi um jovem muito educado, adorava fazer negócios com o pai, seu companheiro inseparável; quando o pai ia comprar um carro, ele estava sempre junto dele dando palpites, tratava a todos com muito carinho, adorava seu gato — Chininho —, quase sempre brincando com ele, quando estava em casa.
Até a casa onde estamos morando, ele participou do negócio com o pai.
Sempre teve tudo que queria, seu pai não medindo sacrifícios para comprar o que ele desejava, inclusive ele pedia assim: “Compra, vai, Papi.” — e seu pai não podia negar aquele pedido tão carinhoso.
Uma semana, porém, antes do acidente, ele andava muito triste, e ninguém sabia o que era, nem ele mesmo sabia explicar o porquê de sua tristeza.
Três dias antes do acidente, meu marido teve um sonho. Ele sonhou que havia acontecido um desastre com um carro, e via três corpos no chão; ele correu, e o último corpo reconheceu como sendo do seu filho mais velho — Indalécio —; ele se abaixou e, abraçando o corpo e virando-o, viu que não era o Indalécio e sim o Edilson, que dizia:
— Pai, estou todo machucado na cabeça.
Acordando assustado, ele me contou o sonho, e eu disse: não se impressione, quando a gente sonha com a morte, é vida.
Depois de três dias, sábado, ele se levantou cedo, foi dar um passeio até a casa de sua avó, e voltou logo, dizendo para seu irmão: — Vou lavar e dar um brilho na sua moto (esta era de seu mano Indalécio; ele tinha uma Mobilette).
Assim fez, a moto ficou bonita, e ele pediu para o irmão (ele só chamava o Indalécio por Irmão, nunca pelo nome): — Bem que você podia me deixar a chave da moto para eu dar algumas voltas.
O irmão, vendo que ele passou a manhã toda limpando a moto, resolveu ir para o Colégio e deixar a chave com ele — Edilson —, coisa que ele nunca fazia, pois tinha ciúmes de deixar qualquer pessoa andar em sua moto.
O Indalécio estava no ponto de ônibus para ir para o Colégio, quando Edilson passou e disse: — Suba, que eu lhe dou uma carona até lá. O Indalécio disse: — Só se eu for dirigindo. Ele concordou, é foram os dois para o Colégio.
Na volta, ele vinha vindo em sua mão, quando um carro, em uma travessa, não parou e avançou uns dois metros da faixa de pedestres, e foi pegar o meu filho que vinha vindo com a moto, o choque foi fatal, com traumatismo craniano, meu filho veio a falecer, quase sem receber os primeiros socorros.
Eu e meu marido ficamos muito doentes com o choque da notícia.
E eu não me conformava de ele ter falecido sem eu conversar pela última vez com ele.
Comecei a percorrer vários centros espíritas, aqui em São Paulo, mas nada dava certo, o pessoal dos centros alegava que era muito cedo e que meu filho estava em tratamento espiritual, e não teria condições de se comunicar comigo.
Eu precisava muito saber como estava ele, para ver se eu tinha um pouco de paz, senão eu e meu marido iríamos parar num hospício, de tanta dor e saudades que ele deixou aqui para nós.
Minha irmã Cleide, vendo nosso sofrimento, disse:
— Por que todos nós não vamos falar com o Chico Xavier?
Conversando com uma conhecida — D. Maria — que eu queria ir a Uberaba, disse ela que tinha uns parentes que moravam lá, e que seria mais fácil falar com o abençoado médium.
Por intermédio de sua parente, em Uberaba, vim a conhecer o Sr. Antônio Borges da Silva, que disse que conseguiria que eu falasse com o Chico Xavier, mas ele — Sr. Antônio — não sabia o meu problema, só sabia que eu precisava falar urgentemente com o Chico.
Ao chegar à porta da casa de Chico Xavier, Sr. Antônio falou para um senhor que lá se encontrava, que o casal de São Paulo, já havia chegado para falar com o Chico.
Minutos depois, o mesmo senhor chegou no portão, e disse: — O Casal que perdeu o filho em acidente de moto, pode entrar.
O Sr. Antônio ficou quieto, pensando que fosse outra pessoa que estava sendo chamada; minha Cleide, porém, disse: — Esse casal é minha irmã e meu cunhado, e o Sr. Antônio disse: — Então, vamos entrar; eu não sabia o assunto.
Eu não havia contado para ninguém o motivo pelo qual eu queria falar com o Chico Xavier, mas quando cheguei perto dele, ele já estava sabendo do sucedido.
Havia várias pessoas falando com o Chico. Logo que ele me viu, disse:
— Filha, por que vocês choram e dizem que ficaram sozinhos, vocês que têm o Júnior (ele se referia ao meu filho mais velho — o Indalécio) e também têm o José Ruiz, que está ajudando vocês? Quem é o José Ruiz?
Meu marido respondeu: — É meu avô, Chico.
— Pois é ele quem está ajudando vocês, e vovó Salvina também (minha avó materna).
Pediu ele o nome do menino, o dia que ele desencarnou, o dia que ele nasceu e perguntou se ele era estudante, perguntando:
— Vocês vão para o Centro comigo? pois eu já estou atrasado.
Chegando ao Grupo Espírita da Prece, havia uma fila enorme, mas nós entramos junto com o Chico Xavier.
Dentro do Centro, ele começou a atender um por um, e, de vez em quando, olhava para nós, que estávamos sentados num banco.
Eu não estava passando bem, e por isso minha irmã Cleide pediu para que eu e meu marido fôssemos descansar, que ela ficaria guardando o lugar, e esperaria até o começo da reunião, que se daria lá pelas 22:00 horas, e ainda eram
Eu e meu marido saímos um pouco, e minha irmã ficou observando o Chico Xavier atender todo aquele pessoal. De repente, ele parou, e olhando para minha irmã, falou:
— Você tem alguma fotografia do rapaz?
Minha irmã falou que tinha, e mostrou-lhe a foto. Ele voltou a dizer:
— É um belo rapaz, e está sendo protegido pela vovó Salvina (como poderia ele — Chico Xavier — saber da existência de minha avó, falecida há quase 15 anos?).
E pediu para que ficássemos até o fim da reunião, porque talvez o menino se comunicasse com a gente.
Voltando para o Grupo Espírita da Prece, às 19:30 horas, o Chico Xavier estava quase terminando a primeira parte de seu trabalho.
Nunca vi tantas mães desesperadas como eu, à espera de uma comunicação de seus filhos!
Eu não estava me sentindo bem, e meus pés estavam inchados. No centro da mesa, Chico Xavier continuava escrevendo psicografando as mensagens — sem parar. Foi a coisa mais maravilhosa que já pude ver.
Falei para minha irmã e minha mãe que iria com o meu marido lá fora, um pouco. De lá, ficamos espiando de vez em quando, e Chico Xavier continuava escrevendo sem parar.
Eu já estava desesperada e perguntava: será que conseguirei uma mensagem do meu filho? Conversando com várias mães presentes, e lhes contando o meu caso, elas falavam que era muito cedo, pois justamente naquele dia — 12 de julho — fazia três meses que ele havia desencarnado.
Minha irmã, lá dentro, se aproximou do Chico Xavier, e viu que ele estava recebendo a mensagem do meu filho. Ela correu para fora, e me disse: — O Edilson está se comunicando com o Chico Xavier!
Eu quase não acreditava; talvez minha irmã quisesse me conformar, dizendo aquilo.
Terminando o trabalho, Chico Xavier começou a ler as mensagens recebidas, e chamava os pais para irem receber de suas mãos as laudas de papel.
Ele já havia lido 6 mensagens, e eu, no desespero, aguardando e pedindo a Deus que me ajudasse a receber a minha.
Às 3:30 horas da madrugada, a última mensagem nas mãos abençoadas de Chico Xavier, e ele nos chamando para perto dele. Ao ler a mensagem recebida — a mensagem do meu filho —, Deus meu, que felicidade eu senti naquela hora!
Voltei de Uberaba, e durante as 8 horas de viagem, continuei abraçada com aquela mensagem em meu coração.
Chegando em São Paulo, dei a mensagem para meu filho ler, e ele me disse:
— Eu só vou acreditar no que está escrito aí, se ele me chamar de Irmão, como costumava me chamar.
E ele começou a chorar, ao ler a mensagem, pois nela meu filho Edilson o chamava, não pelo nome, mas sim por Irmão.
Na mensagem, ele agradece as flores que eu lhe ofertei. Depois que aconteceu o acidente, eu não conseguia ir ao cemitério, pois eu me sentia muito mal. Um dia, eu falei ao meu marido: — Eu vou ao cemitério, mesmo me sentindo mal, e fui, levando muitas flores para pôr em seu túmulo, e na mensagem, ele agradece as flores.
Voltando de Uberaba, com a mensagem, continuava, em São Paulo, a me sentir mal de saúde, até que foi preciso eu consultar um médico.
O médico mandou que eu fizesse vários exames, e o resultado foi gravidez.
Depois de 14 anos sem ter filhos, Deus me tirou um e ao mesmo tempo está me dando outro, pois estou grávida de 4 meses, e é isso que está me dando uma luz para eu continuar vivendo, com todo sofrimento que estou passando, pois não me esqueço do meu Filhote (era como eu o chamava), nem um minuto da minha existência, rezo por ele, e que Deus o ilumine e o ampare.
Pai — Indalécio Nogueira Ruiz; profissão: comerciante; religião: católico; nascido em São Paulo, Capital, a 11 de novembro de 1940.
Mãe — Conceição Carini Nogueira; profissão: prendas domésticas; religião: católica; nascida em São Paulo, Capital, a 17 de fevereiro de 1944; endereço: Rua Bacairis, 70 — Vila Formosa Cep 03357 — Fone
Tia: Cleide Carini; profissão: prendas domésticas; religião: católica; nascida em São Paulo, Capital, a 7 de julho de 1950; solteira; endereço: Rua Pedro Pires, 70 — Vila Carrão — São Paulo -SP.
Bisavó — Salvina Bete Lameira; nasceu em Bragança, Portugal, a 2 de outubro de 1892, e desencarnou em São Paulo, Capital, a 8 de agosto de 1965; avó materna;religião: espírita.
Bisavô — José Ruiz Saes; nascido em Almeria, Espanha, a 16 de maio de 1895, e desencarnado em São Paulo, Capital, a 18 de setembro de 1977; avô paterno; religião:católico; profissão: comerciante.
Irmão — Indalécio Nogueira; nascido em São Paulo, Capital, a 26 de setembro de 1964, mais velho um ano e três meses que o Edilson, está atualmente no 2º ano de Engenharia Eletrônica; estuda no Colégio São Judas Tadeu, em São Paulo; não estava com Edilson, quando ocorreu o acidente; ele estava só; profissão: estudante.
Quero agradecer ao Dr. Elias Barbosa pela oportunidade oferecida para publicar a mensagem do meu filho.
Com muita dor no coração, eu lhe escrevi o que aconteceu com o meu filho, talvez não usando as palavras certas, mas o fato em si é todo verdadeiro.
Acredito que este livro com a mensagem do meu filho traga a paz a muitas mães desesperadas como eu, antes da mensagem.
O de que o senhor precisar, e se estiver faltando alguma coisa e eu puder ajudar, me telefone
Estou-lhe enviando uma cópia xerox dos originais da mensagem, e 3 fotos do meu filho.
Obs.: As duas fotos 3/4 foram refeitas da foto 2/2, que era a mais recente que eu tinha (a original é a 2/2).
Sem mais, um abraço desta mãe ex-desesperada,
Sobre o assunto, remetemos o leitor ao item 6 do Cap. 18 da obra (Francisco Cândido Xavier, Elias Barbosa e Espíritos Diversos 1DE, Araras (SP), 2ª edição, outubro/1980, p. 100). (Elias B.)
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