O Espírito de Cornélio Pires

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Capítulo XII
Ilustração tribal

Nhô Manduco


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“Recorde sempre: o anônimo da rua é nosso irmão.”


Lá se vai arrastando Nhô Manduco.

Um homem passa, rente, e a língua engrola:

— “Foge daqui, cachorro manquitola!”

Outro grita de longe: — “Sai caduco!”


É noite… A água da chuva é fino suco.

O barro é o cobertor a que se enrola.

Sente o mendigo o estalo da cachola

E morre feito sapo no tijuco.


Acorda Nhô Manduco libertado.

Contempla o próprio corpo, frio, ao lado…

Ergue-se tonto… Nada sabe ao certo…


Teme e treme… Mas nisso vê na altura,

A rebrilhar no horror da noite escura,

Um caminho de sol no céu aberto.


— “Reencarnação!… Que estopada!…” —

Comentou Nico Peão —

“O corpo é concha pesada

Que a gente arrasta no chão…”


“Afeição cega a razão”

Ideia a que não me encaixo.

Cabeça pensa por cima,

Coração fica por baixo.


Se o coração está rico

De bondade natural,

Nem a pobreza atropela,

Nem a riqueza faz mal.


Provérbio claro e bem-posto,

Sem margem à distorção:

Melhor vergonha no rosto

Que mágoa no coração.




[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]



Cornélio Pires
Francisco Cândido Xavier


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