O Espírito de Cornélio Pires
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Nhô Manduco
“Recorde sempre: o anônimo da rua é nosso irmão.” Lá se vai arrastando Nhô Manduco. Um homem passa, rente, e a língua engrola: — “Foge daqui, cachorro manquitola!” Outro grita de longe: — “Sai caduco!” É noite… A água da chuva é fino suco. O barro é o cobertor a que se enrola. Sente o mendigo o estalo da cachola E morre feito sapo no tijuco. Acorda Nhô Manduco libertado. Contempla o próprio corpo, frio, ao lado… Ergue-se tonto… Nada sabe ao certo… Teme e treme… Mas nisso vê na altura, A rebrilhar no horror da noite escura, Um caminho de sol no céu aberto. |
— “Reencarnação!… Que estopada!…” — Comentou Nico Peão — “O corpo é concha pesada Que a gente arrasta no chão…” “Afeição cega a razão” Ideia a que não me encaixo. Cabeça pensa por cima, Coração fica por baixo. Se o coração está rico De bondade natural, Nem a pobreza atropela, Nem a riqueza faz mal. Provérbio claro e bem-posto, Sem margem à distorção: Melhor vergonha no rosto Que mágoa no coração. |
[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]
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